A crise financeira e o efeito “dominó”!

21 octobre 2008 por admin 

É inevitável não continuar a falar sobre a actual crise financeira! Não só porque não há dia que passe sem que mais um banco peça “socorro”, como outras crises começam a dar sinais alarmistas.
Refiro-me, nomeadamente, às crises económicas, às recessões que alguns países estão a sofrer nas suas respectivas economias. E, porque um mal nunca vem só, acrescentam-se as crises sociais que lhes correspondem, com aumento do desemprego e abaixamento do poder de compra dos cidadãos.
Se, para alguns, o “centro de gravidade” do problema está nos Estados Unidos e, segundo os mesmos, as economias europeias não sofrem os mesmos perigos, para outros, a globalização e os entrosamentos das economias deste planeta, não nos dão essa visão tão optimista. Além disso e a avaliar pelas falências já conhecidas e pela ignorância dos poderes nacionais, face ao comportamento de algumas das suas instituições bancárias europeias, muito difícil será afirmar que elas estão fora de perigo.
Mesmo que a Europa (e por arrasto….) consiga ultrapassar o pior da sua crise financeira, para a qual os seus responsáveis políticos se apressam a garantir os depósitos dos seus cidadãos, injectando liquidez nos bancos, a recessão económica está aí, afectando os maiores países deste continente. E não se pense que os pequenos países, com fraco desenvolvimento em relação à média europeia (como é o caso de Portugal), por serem pequenos, serão poupados.
A recessão económica traz consigo imensos factores de agravamento das condições de comercialização dos produtos, como o aumento dos bens essenciais e uma retracção das exportações e, para um País como o nosso, que importa uma boa parte dos bens que consome, considerando as já difíceis condições de vida de muitos portugueses e que necessita de exportar, para equilibrar a sua balança de pagamentos, considerando que os habituais mercados para onde exporta estarão igualmente pouco receptivos, face às más condições económicas que atravessam, Portugal não será um oásis no meio do deserto. E outra coisa não era de esperar!
Desde 1986 que o País beneficia de enormes fundos europeus, destinados a acelerar o seu desenvolvimento e sustentabilidade. Agora, o que está em causa, não é o facto de esses mesmos fundos não terem sido utilizados da melhor maneira, mas a “imoralidade” de pensar que, a Europa, a braços com profundos problemas económicos, irá ajudar Portugal a ultrapassar os seus.
Se a nossa economia nacional não “andar para trás” ficará, pelo menos, a marcar passo e com menores condições do que outras, de retomar um ritmo razoável de crescimento, logo que sejam afastados os sinais mais graves da actual crise
E, tal como disse, se uma crise económica engendra uma crise social, bem podem as forças políticas, sindicais e pensadores de vária natureza, começar a pensar (o que já deveriam ter feito há mais tempo…) numa plataforma de entendimento nacional, (nem que seja a prazo) em vez de se degladiarem em acusações mútuas, conduzindo o país à exaustão e prepararem um efectivo e sólido caminho para o futuro de Portugal. E, às vezes, é nos períodos difíceis que se tomam as grandes decisões.
Mas, se o terreno está fértil para o aparecimento dos profetas saudosistas do “orgulhosamente sós” e das célebres poupanças salazaristas, que nos “garantiam” o isolamento internacional e a notável designação de “pobres, …mas honrados”, desiludam-se esses paladinos da desgraça, porque o mundo, o País e os seus cidadãos, já estão muito para além das teorias do passado e compreendem que, o seu lugar, é junto dos outros povos e as dificuldades devem ser assumidas em conjunto.
Desiludam-se igualmente os que, bem há pouco tempo, exibiam a Espanha como uma pátria apetecida e a Irlanda como um exemplo de sucesso económico. Afinal, ambos estão já em recessão económica, com repercussões inevitáveis e dolorosas na vida quotidiana dos seus naturais.
Nem os Estados Unidos, nem a Rússia (moderna ou antiga…), são igualmente exemplos de bom comportamento. A actual e histórica realidade que conhecemos, não nos merece confiança, quando repensamos o futuro.
O mundo está em plena mudança e, quando as raízes de um sistema social são postas em causa, não basta por uma “rolha no dique para evitar uma inundação”.
É preciso pensar o mundo de outra forma. Filósofos, precisam-se!…

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