Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira : Afinal,… o Estado é preciso!
8 novembre 2008 por admin
Afinal o Estado é preciso!
Contra tudo e todos os que defendem a minimização do papel do Estado na economia dos países ocidentais, relegando-o para um papel secundário na administração do desenvolvimento económico dos povos, a realidade da “pura” economia liberal vem demonstrar que, mais uma vez, os Estados são obrigados a “salvar” os destroços causados pela avidez de lucros fáceis e rápidos, por parte das instituições que pugnam pela completa liberdade dos mercados de capitais.
E porque o Estado e os seus recursos financeiros não existem por si próprios, mas sim através dos dinheiros de todos os cidadãos nacionais, a resolução desta crise financeira, por muitos investimentos que sejam autorizados pelos vários dirigentes nacionais, trata-se afinal de investir dinheiros públicos e, como tal, estas decisões estão sujeitas à apreciação de todos os contribuintes.
Todos reconhecemos que é preciso sair deste “atoleiro” financeiro em que nos colocaram!
Todos estarão de acordo que, neste sistema social em que vivemos e que eventualmente queremos continuar, é preciso recolocá-lo em funcionamento, sem causar mais estragos!
Todos temem perder os seus bens, o seu dinheiro, o seu emprego, a sua paz e o seu bem-estar!
Mas,… desta vez e após a experiência histórica dos povos e o acesso ao conhecimento que nos privilegia, tentar salvar as finanças e a economia das nações, não pode ser apenas o simples exercício aritmético de dar dinheiro dos contribuintes a quem simplesmente o reclama, para sanear os seus próprios excessos.
O papel regulador dos Estados, no controlo das operações financeiras que se produzem nos seus territórios, no desenvolvimento económico dos respectivos países e na segurança das suas populações, não pode ser o de um mero observador dos negócios que se desenvolvem à escala mundial e, muito menos, o de um colaborador activo nas fraudes oportunistas, desenvolvidas por especuladores de toda a ordem.
De nada valem os pedidos de desculpas, a evocação de ignorância ou a justificação de incapacidade para alterar o actual estado de coisas. Neste último caso, é preciso denunciá-lo publicamente e esperar o repto da opinião pública e, nos casos de admissão de ignorância ou pedidos de perdão, só há uma forma de punir os responsáveis pela actual situação. Aliás, … aquela que a justiça aplica a qualquer outro vulgar cidadão que causa prejuízos à comunidade!
Desta vez não podem (não devem…) haver “paninhos quentes” para tratar os responsáveis que, a todos os níveis, causaram este “terramoto” planetário. Atribuir-lhes chorudas reformas antecipadas ou indemnizações milionárias (tantas vezes denunciadas em outras ocasiões…) seriam um escândalo. E não pode assim acontecer porque, os cidadãos, desta vez e muito mais do que antes, têm consciência de que é o seu dinheiro que está a ser utilizados para “salvar” a face ao caos em que nos envolveram.
A história não se repete da mesma maneira. Ela é como uma mola espiral que, apesar de poder percorrer, aparentemente, as mesmas curvas, é sempre diferente nos seus ciclos. Razão que nos leva a pensar que, desta vez, nada pode ficar na mesma!
Se agora se pede a intervenção dos Estados, para salvarem a crise em que nos encontramos, noutras ocasiões, em que os interesses privados acumulam lucros fabulosos e imorais, o Estado não pode ser acusado pelos mesmos, de intrometido e indesejável, quando intervém nas economias nacionais.
Se o papel dos Estados democráticos, no quadro do actual sistema económico em que vivemos e das relações inter-estatais que se estabelecem, é o de gerir os interesses públicos da melhor maneira, usando as mesmas ferramentas dos interesses privados, há que repensar o seu futuro papel, no domínio da intervenção económica dos respectivos países, nomeadamente nos sectores chave essenciais ao bem-estar das suas populações. Enquanto não for “inventado” um outro sistema económico-social, a competência de quem foi eleito e governa as respectivas nações, é tudo fazer para assegurar o presente e o futuro das suas populações. Façam-no,..mas não se esqueçam de que estão a gerir o nosso dinheiro!
Saibamos nós tirar as devidas lições do que se está a passar e, as soluções, hão-de aparecer!








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