EUA/Eleições : Ao eleger Obama, os americanos ganham simpatia aos olhos do Mundo

24 novembre 2008 por admin 

São poucos os que ficaram surpreendidos com o resultado das eleições presidenciais americanas que levaram à chefia do país mais poderoso do Mundo um presidente de raça negra, Barack Obama, filho de um queniano e de uma americana.
Até mesmo John McCain, seu adversário republicano, já esperava a sorte que lhe coube.
O mundo inteiro, da África à Ásia, passando pela Europa e outras américas, saudou a eleição do primeiro não branco à Casa Branca com efusão e o nosso ministro da Economia, Manuel Pinho, foi até ao ponto de dizer que hoje somos todos um pouco americanos.
Veremos se o nosso ministro tem razão, uma razão que só lhe pode advir se os cowbois perderem a mania de olharam o Mundo de sobrolho carregado, com desconfiança e pretensão.
Mas pegue-se-lhe por onde se lhe pegar, Obama tem uma responsabilidade imensa e o Mundo inteiro espera para ver se a América muda a maneira como tem vindo a tratar os assuntos interplanetários.
O Iraque, donde ele prometeu que retiraria as tropas norte-americanas em menos de dois anos. Será bom não esquecer que o pulha Bush justificou a intervenção americana no Iraque com uma nojenta mentira.
O Afeganistão, onde os americanos têm sido, no mínimo, nulos. Há que saber que as tropas americanas ainda não mataram muitos talibãs, mas já mataram muitos pacíficos civis.
A fome em várias regiões da África, Sudão, Etiópia, Uganda, Honduras, etc. onde todos os dias há gente a morrer de fome e onde os americanos deixam os presidentes tiranizar os povos sem reagir.
Os iraquianos também eram mal tratados por Saddam Hussein, mas não se pode dizer que morriam de fome. Questão de cheiro a petróleo?
Que a América deixe de querer policiar o Mundo e faça o que estiver ao seu alcance para que a vida dos povos que nasceram em regiões nas quais as hipóteses de vencer na vida honestamente são inexistentes. Aí sim, seremos obrigados a reconhecer-lhes o direito de se considerarem gente de bem, caso contrário…
Obama foi eleito para dirigir a América e não o Mundo, mas o planeta, queiramos ou não, depende inteirinho do que se passa naquele país. Se a América apanha uma pequena tosse o Mundo apanha uma grande pneumonia. É assim e não há nada a fazer, por isso…
Toda a gente sabe que a grave crise económica e financeira que afecta o Mundo nos vem do país do Tio Sam e que enquanto os americanos não saírem dela nós também a sofreremos.
Que um país tão conservador como a América tenha elegido para seu presidente um negro, isso já quer dizer que a mentalidade dos americanos mudou muito e que eles já aceitam as pessoas pelo que elas valem e não segundo a cor da sua pele.
Com Obama, é possível que os EUA iniciem uma nova era na sua história: uma era em que os americanos, por muito poderosos que sejam, tenham mais respeito pelos outros povos, olhando-os de igual a igual e não como seus inferiores.
Mas é extraordinário que os Estados Unidos tenham eleito um “jovem presidente de 47 anos, um jovem que para além de tudo é simplesmente americano.

António de Oliveira

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