Análise: O desafio à droga do Afeganistão

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

Alexia Mikhos* analisa a dimensão da ameaça que os narcóticos representam para o Afeganistão e o seu impacto na operação da OTAN naquele país.

Alexia Mikhos* analisa a dimensão da ameaça que os narcóticos representam para o Afeganistão e o seu impacto na operação da OTAN naquele país.

O maior desafio a longo prazo que o Afeganistão enfrenta é, provavelmente, o representado pela produção de drogas ilícitas e pelas redes criminosas que o envolvem. De facto, o Presidente Hamid Karzai reconheceu este facto dois dias após a sua tomada de posse, em Dezembro de 2004, colocando este assunto no topo da sua ordem de trabalhos e declarando a jihad contra o cultivo do ópio e a produção e tráfico de drogas.
Desde então, aumentaram os esforços para combater a ameaça representada pelas drogas, tendo sido alcançados alguns progressos. Porém, à medida que a dimensão do desafio se torna mais clara, as limitações das políticas nesta área também se tornam cada vez mais evidentes.
Uma vez que a OTAN procura contribuir para a paz e a estabilidade no Afeganistão através dos esforços de manutenção da paz da sua Força Internacional de Ajuda à Segurança (ISAF), a Aliança tem vindo a tomar em consideração a ameaça representada pela droga nas suas áreas de operação. Qualquer ameaça contra o governo afegão e contra os esforços de construção de um Estado eficaz e democrático é simultaneamente uma ameaça contra a presença da OTAN no país. Além disso, as colheitas de ópio do Afeganistão representam uma ameaça directa às populações Aliadas no seu território nacional.
As estatísticas de 2005 são reveladoras. De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para o Controlo da Droga e Prevenção do Crime (UNODC), 87% da produção mundial de ópio e 63% do cultivo mundial de ópio encontram-se no Afeganistão. Cerca de 52% do produto interno bruto do Afeganistão, ou seja, cerca de 2,7 mil milhões de dólares, é proveniente do cultivo ilícito da papoila. E a produção de ópio aumentou desde a expulsão dos Taliban em 2001. Só em 2004, a produção de ópio aumentou 64%, para cerca de 4.200 toneladas. Estes valores são comparados com apenas 185 toneladas em 2001, a seguir à proibição de cultivo imposta pelos Taliban.
É verdade que a produção de ópio diminuiu ligeiramente em 2005 para cerca de 4.100 toneladas. Porém, este facto não pode ser considerado uma mudança da tendência para positivo, uma vez que o declínio se deve, em primeiro lugar, ao actual excedente de ópio no mercado mundial e à fraca colheita causada por uma grande seca no Afeganistão. Além disso, as preocupações financeiras e a pressão exercida pelos barões da droga sobre os agricultores fazem com que este ano seja esperado um aumento no cultivo do ópio no Afeganistão.

Envolvimento internacional

Dado a gravidade do problema, é agora crucial que se tomem acções imediatas. Apesar de as autoridades afegãs serem, em última instância, responsáveis pelo combate aos narcóticos, a comunidade internacional também tem uma importante responsabilidade relativamente neste assunto. Além disso, a comunidade internacional já está a apoiar os esforços do governo afegão.
O Reino Unido tem assumido a liderança na sua qualidade de nação líder dos G-8 no combate aos narcóticos. Os Estados Unidos também têm estado envolvidos. Em conjunto, têm apoiado o governo afegão através do financiamento de programas de meios de subsistência alternativos e da formação da sua Força Especial de Intervenção de Luta contra os Narcóticos. O Reino Unido e os Estados Unidos também têm ajudado as autoridades afegãs na criação do que se tem tornado o principal organismo de cumprimento de lei contra os narcóticos no Afeganistão, a Polícia de Luta contra os Narcóticos do Afeganistão. Além disso, ajudaram a criar um “trust fund” contra os Narcóticos e, em conjunto com a Itália e o Gabinete das Nações Unidas para o Controlo da Droga e Prevenção do Crime, uma Força de Intervenção de Justiça Criminal.

87% da produção mundial de ópio e 63% do cultivo mundial de ópio encontram-se no Afeganistão.

Porém, é fundamental que um espectro ainda mais vasto de actores internacionais se envolva nestes esforços, de forma coerente. A OTAN, devido à sua presença no Afeganistão através da Força Internacional de Ajuda à Segurança (ISAF), não se pode manter afastada deste assunto. O Plano de Operação 10302, o documento de orientação segundo o qual as forças da ISAF deverão operar à medida que se expandem para a região sul do Afeganistão, uma importante área de cultivo da papoila, especifica o papel das forças da OTAN no apoio aos esforços afegãos de luta contra os narcóticos, nomeadamente em termos de apoio logístico, partilha de informação e assistência à formação da polícia e do Exército Nacional Afegão no tocante aos procedimentos de luta contra os narcóticos. Apesar de a ISAF ter de desempenhar estes papéis, as forças lideradas pela OTAN também têm de evitar ficar tão envolvidas nas actividades da luta contra os narcóticos que a sua capacidade para implementar tarefas chave seja debilitada.
Dito isto, o sucesso depende do empenhamento do governo afegão para eliminar o problema e cabe a Cabul liderar a luta e expandir a liderança afegã, abarcando uma amplitude cada vez maior de tarefas de luta contra os narcóticos. De facto, as autoridades afegãs têm de continuar a construir capacidades locais e governamentais nesta área, para demonstrar que estão a aumentar as suas capacidades de luta contra os narcóticos.
Até ao momento, Cabul tem demonstrado mais do que boas intenções, debruçando-se sobre o que considera ser uma prioridade crucial e multifacetada. Na Conferência de Londres sobre o Afeganistão, em Janeiro, o governo afegão assinou o Plano Compacto para o Afeganistão, um plano ambicioso cujo objectivo é construir um futuro melhor para o país em conjunto com o apoio internacional, prevendo a eliminação total do problema da droga. Para isso, assumiu um compromisso relativamente a um conjunto de pontos de referência na luta contra os narcóticos, nomeadamente ao reforço da sua capacidade de imposição da lei, cooperação e coordenação com os países vizinhos, à redução anual sustentada na quantidade de terras sob o cultivo da papoila e ao aumento do número de prisões e de acusações contra traficantes e responsáveis corruptos.
No princípio deste ano, o governo afegão também actualizou a sua Estratégia Nacional para o Controlo das Drogas para que os esforços se concentrem nas seguintes quatro prioridades: fortalecimento das instituições estatais; interrupção do comércio da droga; reforço e diversificação de meios de subsistência alternativos para os agricultores; e redução da procura dos narcóticos e tratamento dos consumidores. Além disso, a Força Central de Erradicação da Papoila foi destacada para diversas regiões de molde a proceder à erradicação manual do ópio. A Força Especial de Intervenção de Luta contra os Narcóticos também tem assumido operações de proibição com algum sucesso.
Resta saber em que medida estes esforços trarão resultados duradouros e desempenharão um papel decisivo na redução do problema da droga no Afeganistão. Entretanto, responsáveis governamentais terão de se concentrar na criação de medidas de longo prazo eficazes, mantendo o ritmo actual e assegurando que o público em geral continua a apoiar os seus esforços de luta contra os narcóticos.

Meios de subsistência alternativos

Uma polícia afegã de luta contra os narcóticos eficaz precisa de se concentrar em penalizar, em primeiro lugar, os barões da droga e não os agricultores. Para isso, qualquer programa de erradicação tem de ser destinado e conduzido em conjunção com programas de meios de subsistência alternativos sustentáveis. Estes últimos devem proporcionar incentivos aos agricultores pobres - que representam cerca de 10% da população total afegã - para se dedicarem a formas legais de ganhar a vida, assegurando que não regressam ao cultivo da papoila e amortecendo o impacto da redução do ópio na economia. De facto, é fundamental que se faça uma utilização equilibrada de incentivos e de penalizações para assegurar que os afegãos estejam convencidos e sejam levados a cooperar na luta contra os narcóticos.
O Presidente Karzai demonstrou a importância que atribui a projectos de meios de subsistência alternativos, pedindo que os esforços internacionais se concentrem nesses projectos. O governo afegão também prometeu ajudas aos agricultores preparados para desistirem do cultivo do ópio, mas ainda não teve capacidade para as prestar. Entretanto, avançou, ainda assim, com a destruição de campos de papoilas. Esta abordagem arrisca-se a fazer esgotar a paciência e a boa vontade dos agricultores, que abandonaram a produção da papoila voluntariamente mas a quem ainda não foram oferecidas alternativas. Também estabelece um mau precedente. A comunidade internacional, por seu lado, também ainda não disponibilizou os fundos necessários para cobrir todo o território do Afeganistão.
É verdade que as quantias necessárias para proporcionar uma vida alternativa a todos os agricultores que cultivam papoilas no Afeganistão e assegurar que não retomam as suas actividades ilícitas são tão elevadas que é pouco provável que alguma vez venham a ser disponibilizadas. Além disso, os afegãos sabem perfeitamente que podem ganhar mais com o cultivo das papoilas do que com qualquer outra colheita. Daí a importância de tornar mais convincente a defesa de meios de subsistência alternativos para convencer os agricultores a manterem-se afastados a longo prazo do cultivo de colheitas ilegais.
É pouco provável, porém, que os agricultores e os barões da droga abandonem a sua fonte de receitas sem darem luta. Entretanto, os recursos que o governo afegão tem disponíveis para lutar contra as vozes dos opositores são limitados, a corrupção permanece endémica, apesar da grande quantidade de medidas contra a corrupção acordadas no Plano Compacto para o Afeganistão. A Força Central de Erradicação da Papoila e a Polícia de Luta contra os Narcóticos do Afeganistão, que continua a ser uma força pequena, têm dificuldades em actuar, quando encontram oposição. De facto, no ano passado o governo afegão foi obrigado a suspender a sua campanha de erradicação na província de Kandahar depois de uma manifestação de agricultores enfurecidos ter degenerado em confrontos com a polícia. Além disso, a reforma da justiça, essencial para o combate aos narcóticos, pelo facto de tornar possível a acusação dos traficantes de droga, ainda não foi efectuada. A capacidade de implementar programas depende, portanto, em grande medida, da boa vontade e da cooperação das autoridades locais e dos anciãos tribais.
A questão da produção e do tráfico de drogas no Afeganistão é complexa e corre o risco de fugir ao controlo. As soluções requerem abordagens inovadoras e multifacetadas de longo prazo, tanto por parte do governo afegão como da comunidade internacional. Todos os envolvidos terão que mostrar o seu empenhamento nos próximos anos. No entanto, será difícil manter esse empenhamento à medida que se torna difícil vislumbrar resultados de curto prazo, que a atenção da comunidade internacional diminui e que a fadiga dos doadores se instala. Porém, a menos que e até que esta questão se resolva, o ambiente de segurança no Afeganistão requererá a presença de uma força de estabilização internacional.

*Alexia Mikhos trabalha sobre o Afeganistão e o Darfur na Divisão de Operações da OTAN e tem um doutoramento em resolução de conflitos internacionais pela Universidade de Reading, em Inglaterra.

Sociedade: O Alentejo envelhece e despovoa-se

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

O envelhecimento populacional e o despovoamento do Alentejo deverão prosseguir nas próximas décadas, mas este cenário poderá ser atenuado com a fixação de imigrantes na região, defendeu hoje uma investigadora da Universidade de Évora.
“Inverter [esta tendência] é impossível. O cenário é dramaticamente este. Não temos qualquer hipótese de o reverter [nas próximas décadas], mas temos alguma hipótese de o atenuar e há que o fazer, tomar algumas medidas”, defendeu a professora Maria Filomena Mendes.
A investigadora e docente do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora, especializada nas questões de natalidade e fecundidade em Portugal, falava aos jornalistas à margem de um seminário realizado hoje na cidade alentejana.
“Construir pontes, aproximar mundos” foi o tema do encontro, que abordou a imigração no concelho de Évora, tendo a docente universitária discursado sobre “Imigração na Região Alentejo e influência na dinâmica populacional”.
Segundo Maria Filomena Mendes, que se baseou em dados dos censos de 2001 e apresentou uma previsão até 2021, “aconteça o que acontecer, o Alentejo vai continuar a envelhecer”, porque o fenómeno, iniciado “há décadas”, está “quase no seu início”.
“As migrações não podem alterar este quadro. É uma inevitabilidade. Não vamos ter outra hipótese senão um Alentejo envelhecido nas próximas décadas”, sublinhou.
O despovoamento, o envelhecimento e o declínio populacional alentejanos, explicou, têm na sua base uma fecundidade “muito baixa”, uma “reduzida” mortalidade e a migração de naturais da região para outras zonas do país ou para o estrangeiro.
“Este é um problema do país, não é só do Alentejo, mas no Alentejo é pior porque [a região] começou a reduzir a fecundidade há mais tempo e isso faz com que o conjunto de mulheres que atingem a idade de ter filhos seja cada vez mais pequeno”, destacou.
A docente sustentou que a região, para tentar fazer frente a estas fragilidades demográficas, deve conseguir “conter a emigração” de habitantes, promover e incentivar a fecundidade das alentejanas - não apenas que aumentem o número de filhos, mas também que sejam mães mais cedo - e captar imigrantes.
“A imigração para o Alentejo, seja de pessoas que vivem no país, noutras regiões, seja do estrangeiro, é fundamental. O Alentejo não se pode dar ao luxo de continuar a perder gente”, alertou.
Maria Filomena Mendes reconheceu que a região, comparativamente com o país, ainda atrai um reduzido número de imigrantes, mas deve ter medidas de “discriminação positiva”, nomeadamente ao nível do emprego, para inverter essa tendência e captar, acima de tudo, jovens.
“Para o Alentejo, é uma prioridade máxima atrair pessoas em idade activa jovem, que venham, fixem residência, casem e tenham filhos”, salientou, acrescentando que, por enquanto, os imigrantes que escolhem a região “não mantêm residência fixa por muito tempo”.
Apesar de não se conseguir inverter o cenário nas próximas décadas, pois, o número de nascimentos, mesmo aumentando, será sempre inferior ao que haveria caso a fecundidade não tivesse baixado tanto, o Alentejo deve reflectir sobre estas questões e adoptar medidas, a nível regional e local, disse.
“O futuro do Alentejo passa, necessariamente, por uma imigração mais forte”, com destaque para “pessoas jovens e, sobretudo, mulheres”, sublinhou a docente.

Nuclear/Portugal: Palavra de ordem é “esperar para ver”, diz Hans Blix

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

Hans Blix usa da palavra durante a conferencia " O Mediterrâneo, o norte de Africa e a ameaça nuclear"

A palavra de ordem para a introdução de energia nuclear em Portugal é “esperar para ver”, declarou, em Lisboa, o antigo chefe dos inspectores da ONU no Iraque, o sueco Hans Blix.
O responsável pela Comissão das Nações Unidas para a Monitorização, Verificação e Inspecção (UNSCOM) das armas de destruição em massa no Iraque (2003) respondia sobre a polémica da introdução da energia nuclear em Portugal, país totalmente dependente do exterior em combustíveis fósseis que, queimados, emitem gases com feito de estufa responsáveis pelo aquecimento global do planeta.
Defensor das energias renováveis e outras passíveis de diminuir a dependência energética e certamente mais limpas, o antigo director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA, 1981-1997) - organismo regulador das Nações Unidas (ONU) - recordou haver “muitos países a apostar no nuclear”.
Como exemplo, indicou que “os dinamarqueses, durante muito tempo avessos ao nuclear - tal como a Suécia, Irlanda ou Áustria - estão a mudar de opinião”.
“Estive em Copenhaga e vi num jornal local que a percentagem da população a considerar o nuclear uma energia sem efeitos nocivos sobre o aquecimento global está a aumentar significativamente, embora ainda não seja a maioria”, recordou.
O antigo chefe da diplomacia de Estocolmo (1978-79) admitiu, no entanto, que “a questão continua a ser controversa”.
“Se a chanceler Angela Merkel ganhar as próximas eleições na Alemanha, haverá muito possivelmente mudanças” a favor do nuclear, observou.
“No Reino Unido, trabalhistas e conservadores puseram-se de acordo sobre a expansão da energia nuclear”, acrescentou.
Quanto ao novo presidente norte-americano, Barack Obama, Hans Blix disse saber apenas que “é favorável às energias renováveis e ao nuclear seguro”.
“Em sintonia com o Partido Democrata, deverá haver uma ênfase na poupança energética, energias renováveis e eventualmente na construção de mais centrais nucleares, com recurso à iniciativa privada”, adiantou.
Tendo como fundo este cenário internacional, o académico sueco concluiu que, para Portugal, a palavra de ordem “é esperar para ver o que dá o debate sobre a matéria”. Actualmente, existem 450 centrais nucleares em todo o mundo.
Hans Blix ficou conhecido internacionalmente por insistir na cooperação do regime de Saddam Hussein com a UNSCOM e negar a existência de armas de destruição em massa no Iraque, denunciando a encenação de Washington e Londres para invadirem aquele país do Médio Oriente.
Deu controversas entrevistas à BBC e ao jornal britânico Guardian e chegou a acusar os serviços secretos norte-americanos de terem colocado escutas no seu gabinete e no Conselho de Segurança da ONU.
Desde 2003, preside a uma comissão independente para as armas de destruição em massa, com sede em Estocolmo.
Hans Blix falava na conferência “O Mediterrâneo, o Norte de África e a Ameaça Nuclear”, realizada 18 de Novembro no Instituto de Estudos Superiores Militares, em Lisboa.

Ramal da Lousã: Movimento em vigília exige modernização e electrificação da linha

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

O Movimento de Defesa do Ramal da Lousã (MDRL) aprovou um documento a exigir a “modernização e electrificação” daquela linha-férrea, em oposição ao projecto de um metro de superfície previsto pelo Governo.
Em Março de 2006, o ministro Mário Lino anunciou o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), que prevê para a ferrovia que liga Coimbra a Serpins (Lousã) e para a cidade de Coimbra a instalação de um metro ligeiro de superfície do tipo “tram-train” – com capacidade para circular nos eixos ferroviários, urbanos, suburbanos e regionais.
Durante uma vigília, que ocorreu no noite de 14 de Novembro, junto à estação de Moinhos, no Concelho de Miranda do Corvo, cerca de seis dezenas de utentes empunhando velas acesas aprovaram uma proclamação a enviar ao Presidente da República e ao primeiro-ministro que reitera o pedido de uma “avaliação das alternativas técnicas para a electrificação e reabilitação” da linha ferroviária.
O movimento questiona como “se pode aceitar a destruição deste meio de transporte e os gastos milionários que se anunciam, num tempo de tão grave crise financeira, quando sabemos que procedendo a CP/REFER à electrificação e melhoria da linha os contribuintes pouparão muito dinheiro e os utentes do Ramal mantêm o seu precioso transporte”.
“Por uma qualquer decisão política sem fundamento técnico-económico, não podem os passageiros do comboio ter de suportar, durante dois ou mais anos (ou para toda a vida!) um muito penoso acesso ao locais de trabalho e de estudo, em transportes de má qualidade e com horários que vão prejudicar a vida profissional, académica e familiar de toda a gente”, acrescenta o documento.

Chaves: Conselho executivo atribui resultados à “cultura de rigor e profissionalismo” : Fernão de Magalhães está entre as melhores escolas públicas

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

Para Fernando Castro este sucesso deve-se ao "rigor, profissionalismo e estabilidade do corpo docente".

Para Fernando Castro este sucesso deve-se ao “rigor, profissionalismo e estabilidade do corpo docente”A Escola Fernão de Magalhães, em Chaves, voltou, este ano, a figurar entre as escolas públicas com melhores resultados no âmbito do ranking na-cional. Nos exames nacionais de Português de 12º ano alcançou mesmo o primeiro lugar em termos de escolas públicas.
Com uma média de 12.82 e num conjunto de 487 estabelecimentos de ensino (públicos e privados), a Escola Secundária Fernão de Magalhães, em Chaves, ficou colocada em 42ª posição em termos do ranking nacional que avalia os resultados obtidos em oito disciplinas (12º ano). De resto, de há cinco anos a esta parte que o antigo Liceu aparece colocado entre as primeiras 100 escolas com melhores resultados, sendo que foi em 2004, e numa avaliação de dados feita pelo mesmo jornal (Público), alcançou melhor posição: 30ª.
No entanto, este ano a Escola destacou-se, sobretudo, em termos de exames de 12 ano e às disciplinas de Português e de Matemática. No primeiro caso, em termos de escolas públicas foi aquela que alcançou melhores médias (13.46), tendo ficando em 4º lugar, no conjunto públicas e privadas. A Matemática, ficou em 26ª posição.
Para o presidente do conselho executivo, Fernando Castro, os “bons resultados” alcançados pela escola ao longos destes anos devem-se a um conjunto de circunstâncias, que passam pelo “rigor, profissionalismo e estabilidade do corpo docente”. É um facto. Dos 101 professores, 76 por cento são do quadro da escola, 15 por cento do quadro de zona pedagógica e apenas 9 por cento são contratados. “Aqui trabalha-se muito em sala de aula. Há uma cultura de exigência e rigor”, explica ainda Fernando Castro, lembrando que a própria centralidade e as características da escola influenciam. “Há mais paz, mais sossego, mais disciplina”, frisa. No entanto, Fernando Castro não nega também que o facto de a maioria dos alunos que frequentam a escola serem oriundos da cidade também contribui para a situação. “É óbvio que a situação sócio-económica dos pais dos alunos influencia”, reconhece. Em termos de habilitações académicas dos pais dos alunos que frequentam esta escola, 22 por cento têm o ensino secundário completo e 21 por cento têm uma licenciatura.
Na última avaliação externa feita à Fernão de Magalhães pela Inspecção Geral de Avaliação, em Abril passado, o estabelecimento mereceu a classificação “muito bom” em quase todos os itens avaliados.
Das restantes escolas dos distritos de Vila Real e de Bragança, só a Abade Baçal (Bragança) está nas primeiras 100 melhores. A EB2,3 de Vila Flor aparece em 103ª posição. De resto, a maioria dos restantes estabelecimentos aparecem abaixo do meio do ranking e alguns próximos dos últimos lugares.
Por: Margarida Luzio

Sociedade/Casos: Presidente da Casa Pia diz que a instituição é das melhores a lidar com abuso sexual

13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário 

A presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, Joaquina Madeira, considera que a instituição é hoje das mais bem preparadas do país para a prevenção de fenómenos como os abusos sexuais.
“Se há alguma organização que neste momento está preparada para a prevenção é esta”, disse Joaquina Madeira, em entrevista à Agência Lusa, a dois dias das alegações finais do julgamento do processo de pedofilia envolvendo alunos da instituição.
Joaquina Madeira garante que nos últimos tempos não surgiu qualquer queixa neste domínio.
“Não houve nada dessa natureza. Apenas de questões comportamentais”, disse, adiantando que, embora não possa afirmar que a instituição esteja imune a esta problemática, a Casa Pia “não tem olhado a meios para a qualificação dos seus profissionais, assim como para a prevenção”.
O processo judicial em curso é, obviamente, falado na instituição, mas já sem a carga emocional de outros tempos.
“Acho que já se objectiva mais a discussão sobre o assunto. O tempo ajuda, mas é claro que quando se fala nestes períodos [momentos chave do processo] é como mexer numa ferida”, disse.
Seis anos depois da publicação da primeira notícia sobre a existência de abusos sexuais na instituição e quatro anos depois do início do julgamento, Joaquina Madeira considera que a instituição está hoje mais preparada para lidar com este assunto.
Com o projecto de mudança em curso, referiu, o tema deixou de ser tabu e há todo um trabalho de prevenção, desde a vigilância nas residências - onde existem crianças a cargo da instituição - até à qualificação dos funcionários e ao desenvolvimento de programas directamente com as crianças.
“A Casa Pia está mais vigilante. Não podia ser de outra maneira, tínhamos de aprender”, disse.
Com o fim gradual dos lares de acolhimento da instituição para crianças em perigo, o novo modelo consiste em acolhimento residencial com 12 a 14 crianças acompanhadas por quatro educadores e dois vigilantes.
Os vigilantes, explicou, ficam nas residências durante a noite e não dormem para assegurar a segurança e controlo das crianças.
Por outro lado, adiantou, os lares têm supervisão externa de 15 em 15 dias e é feito um controlo de auto avaliação que é aplicado trimestralmente para identificar falhas.
No que se refere às crianças, Joaquina Madeira explicou que hoje é lhes dada maior atenção, tendo sido criados canais de comunicação, com várias instâncias a quem recorrer.
“O problema que se registou aqui foi que as crianças não eram ouvidas. Agora a criança escolhe o seu educador de referência para que seja criada essa relação de segurança”, referiu.
“Há hoje uma grande preocupação em ter educadores qualificados”, frisou, “e ainda em dar às crianças ferramentas para se protegerem”.
O projecto PIPAS é um desses exemplos de prevenção. Envolvendo mil crianças, o programa ajuda a desenvolver competências de auto-segurança e capacidade de dizer não.
Para Joaquina Madeira, a Casa Pia é uma grande instituição com muito potencial e que pode mesmo ser considerada como “um dos melhores colégios do país”.
A presidente do Conselho Directivo da Casa Pia disse, também, que as mudanças na instituição surgem na linha do relatório “Renovar a Esperança”, sem que “nada tenha voltado atrás” e a “casa” começa a entrar numa fase solar depois de uma fase lunar.
Na sexta-feira, a antecessora de Joaquina Madeira à frente da instituição na qualidade de provedora (cargo extinto), Catalina Pestana, disse que “algumas decisões que já tinham sido tomadas voltaram para trás”.
Joaquina Madeira garante que tudo o que estava no bom sentido se manteve “até com novo fôlego”.
“Não sei o que voltou para trás. Se houver alguma coisa, que me identifiquem, porque tudo continuou”, frisou.

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