Entrevista: Guigui da Bahia desabafa e arrasa sua antiga banda
2 juin 2009 por admin
Foi na discoteca Costa do Sol, nos arredores de Paris, que pela primeira vez conheci o Guigui, que na altura era vocalista da banda Canta Bahia, um grupo que depois abandonou para fazer carreira a solo, uma decisão que, pelo que se vê, foi altamente benéfica para o artista.
Desde essa primeira vez já nos encontramos por todo o lado, mas foi na Costa que, em amena cavaqueira, decidimos esta entrevista, que, finalmente, acabou por ser feita através do telefone.

Guigui com o seu empresário José da Silva
Portugal Sempre: Por que é que não continuou com os Canta Bahia? Tinha vontade de mostrar aos que cantam a solo que é capaz de os superar?
Guigui da Bahia: Nada disso. Eu saí da banda porque me sentia nela como uma criança manipulada por uma pessoa que simplesmente não percebe nada de música e só queria gravar, ou melhor, ‘regravar’ as músicas de outros cantores, sem me dar oportunidade de mostrar o que eu sei e gosto de fazer, que é compor. E também vivia preso, sem liberdade de viver como um cidadão. A prova de que nada estava certo naquela banda, está no facto de já não estar nela nenhum dos elementos do meu tempo, que não é assim tão longínquo. Já lá não está nenhum, todos saíram, porque, como eu, não aguentaram ser escravos daquele sistema, o sistema a que chamam vida moderna mas que na realidade é a escravidão do século XXI.
Não, a minha intenção de fazer carreira a solo não é mostrar aos outros isto ou aquilo. O que eu quero é mostrar a toda a gente que sou artista de corpo e alma e que não preciso de certas bengalas para ir avançando na carreira de cantor, uma carreira que abracei com muita força e que quero programar à minha maneira.
P. S: Cantar a solo é sempre diferente…
G. B: Sim, muito diferente. A responsabilidade é muito maior, tenho que escrever minhas músicas, pensar sempre em novos trabalhos. Na música tem que se estar sempre actualizado, porque aquele que se põe a dormir, deixando passar o tempo, esse fica para trás.
Graças ao trabalho de uma excelente pessoa, o meu empresário José da Silva, estou sendo reconhecido como Guigui da Bahia no mercado português, onde lancei o primeiro disco “Cartinha de amor” e já fiz muita gente cantar no verão maravilhoso de Portugal. E agora o mais novo trabalho “Pára de tentar me enganar” com músicas maravilhosas que estão a ter muito sucesso. Estou muito melhor do que estava há pouco tempo atrás. Muito melhor!
P. S: Ao sair do grupo… mudou de estilo ou continua tudo como dantes?
G. B: Continuo basicamente com o estilo que as pessoas passaram a conhecer o Guigui da Bahia. Não posso mudar radicalmente para não atrapalhar. Se é verdade que quando comecei a solo não trazia músicos comigo, hoje já não é o caso. Tenho um grupo de músicos do melhor que há que actuam sempre comigo.
Por ter estado entre os muitos que assistiram ao concerto do Guifui na Costa do Sol, confirmo que o grupo que o acompanha está à altura da situaçãoe e mais ainda, pois são todos músicos que já acompanharam a maior parte dos grades da música portuguesa.
P. S: Tem sido visto por França com certa frequência. Está a recolher os frutos do que fez com os Canta Bahia ou é produto de novo impulso?
G. B: É muito simples. É a colheita do meu trabalho, o trabalho de ontem e o de hoje, aquele trabalho que fiz com a banda e que hoje continuo a fazer sozinho. A isto, temos que adicionar o trabalho do meu empresário, o José da Silva, com quem me entendo maravilhosamente.
A verdade é que agora sou muito mais feliz e tudo me corre muito bem, tanto em França como noutros países por onde tenho passado, como Luxemburgo, Suíça, Brasil e Portugal em geral, sem esquecer a Ilha da Madeira e os Açores.
É evidente que o ter andado com a banda Canta Bahia me serviu para ganhar experiência, só que teria sido melhor se tivesse partido mais cedo. Agora o meu nível é outro, sou tratado como um verdadeiro interprete da música brasileira. Desde que funciono a solo sou muito mais feliz e, como sabe, a felicidade ajuda a fazer actuações de quilate mais elevado.
P. S: Quem faz as suas músicas?
G. B: Sou eu mesmo que faço algumas. Do meu primeiro CD são quase todas minhas, neste segundo tenho apenas três, quisemos colocar músicas de outros compositores, amigos meus lá do Brasil.
P. S: Tem notícias do seu antigo grupo?
G. B: Não e também não quero ter. Tenho me dedicado mais ao meu trabalho, não me quero preocupar com eles, isso atrairia energia negativa.
P. S: Como vê os Canta Bahia de hoje, que por cá vão tendo uma crítica pouco favorável?
G. B: Quando os críticos criticam, é porque tiveram motivos para isso. Ninguém suja a imagem do próximo por simples luxo e eles têm más criticas em todo lado. Claro que sou suspeito tocando neste assunto, mas essa banda, depois da minha saída, ninguém lhe dá mais importância. Creio que é o fim, pois onde eles passam não levam mais ninguém atrás, só estragam o trabalho dos contratantes.
P. S: Assim tanto, Guigui?
G. B: Infelizmente, esta é a verdade. Mas acho que vamos ficar por aqui. Só me resta deixar, através do Portugal Sempre, montes e montes de agradecimentos a todos pelo carinho com que me têm tratado em França, o respeito, a amizade, a fidelidade. Fico muito feliz em saber que as pessoas gostam de mim pelo que sou e pelo que faço, que é o mesmo que dizer: pelo que valho. Graças a Deus…
Quero que todos, se puderem, ouçam o mais novo CD do Guigui. Oiçam porque está lindo.
Aproveito também para deixar um grande abraço ao Sr. José da silva, que tem vindo a fazer comigo um trabalho exemplar. E também para os da Costa do Sol e para os do Mikado, um Grande abraço. Também quero agradecer aos organizadores de espectáculos que me fazem a honra de me quererem com eles. E obrigado a vocês do jornal pela oportunidade que me deram de desabafar um bocado e falar um pouco sobre o Guigui da Bahia.
Entrevista recolhida por António de Oliveira








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