Escultura: Projecto de museu único na Europa em Évora ameaçado
9 juin 2009 por admin
Dois coleccionadores de arte espanhóis propuseram ao Município de Évora a construção na cidade de um museu de escultura contemporânea, único na Europa, com a sua colecção mas cansados de esperar, há dois anos, por um compromisso firme, admitem desistir em Junho do local.
A Câmara Municipal de Évora, apesar de acolher a iniciativa, alega falta de verbas para, por si própria, custear a transferência da colecção e a obra, que, reconhece, beneficiaria turística e culturalmente a cidade Património da Humanidade.
Natural de Évora, o presidente da Galp Energia, Murteira Nabo, que apoia a título pessoal tão “grande projecto para o País”, salienta, por sua vez, que o estudo de viabilidade financeira do museu e de avaliação da colecção está concluído, ainda que há um mês, para que possa agora ser negociado um acordo com os proprietários das 250 esculturas.
Nem autarquia nem coleccionadores ou Murteira Nabo revelaram valores da cedência das obras de arte para o Município de Évora e da construção do museu, próximo do centro histórico da cidade.
A ideia do Museu de Escultura Figurativa Internacional Contemporânea (MEFIC) em Évora começou a germinar depois de Eva Hernández Calderón e Antonio López Giménez se terem deslocado, quase acidentalmente, à cidade e seus arredores para ver umas quintas, em finais de 2006.
Os dois são donos de uma colecção de 250 esculturas figurativas e realistas de finais do século XX e do século XXI de artistas de 22 países, incluindo Portugal, que foi iniciada na década de 80. Uma “autêntica aventura”, dizem.
Eva Hernández Calderón e Antonio López Giménez, que também são proprietários de uma empresa de promoção de exposições e eventos culturais, lançaram a proposta do MEFIC ao presidente da Câmara de Évora, José Ernesto d’Oliveira, que “se entusiasmou com a ideia de fazer um grande museu” na cidade com a colecção de ambos.
“Começaram os contactos e as conversações para tornar realidade o projecto”, recordou Eva Hernández Calderón, sublinhando que, “depois de dois anos de negociações, (…) chegou o momento de dar o passo definitivo”.
“Depois de dois anos de conversações, viagens, estudos, relatórios, encontros e mais encontros, estamos à espera de uma resposta definitiva. Esperamos até Junho. A partir daí, a colecção será oferecida a outras cidades e Évora perderá a sua oportunidade”, reforçou, adiantando que, em Espanha, “há muitas cidades interessadas” no museu, desde Múrcia, onde está armazenada grande parte da colecção, até Cuenca.
O presidente da Câmara de Évora, José Ernesto d’Oliveira, confirma as conversações mas aponta a falta de dinheiro do Município para abraçar, sozinho, a instalação de um museu “único, com uma colecção de arte figurativa hiper-realista valiosa em termos mundiais”, que traria “muita gente” a Évora, cidade Património da Humanidade situada no “Eixo Lisboa-Madrid” e já visitada anualmente por “mais de meio milhão” de turistas.
“Temos interesse que a colecção venha para a cidade mas trata-se de encargos muito grandes, significativos, superiores ao que a Câmara pode suportar”, advogou, frisando que o município necessita de um “grupo alargado de parceiros públicos e privados que perceba a importância do projecto e se associe a ele”.








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