José Cid prepara-se para editar novo álbum
9 juin 2009 por admin
José Cid, distinguido a 22 de Maio pela Sociedade Portuguesa de Autores, está a viver um dos melhores momentos da sua carreira e prepara-se para editar um novo álbum, quando se pensava que, aos 67 anos, já estaria na reforma.
Tem cerca de 50 canções inéditas prontas a editar e uma agenda de concertos que lhe ocupa actualmente grande parte dos dias. Tem sido assim nos últimos quatro anos, desde que actuou no Maxime e foi chamado a substituir um cantor - cujo nome não revela - na Queima das Fitas do Porto.
“Senti naquele momento que alguma coisa tinha mudado, porque não era normal ter 15.000 jovens a cantar as minhas músicas do princípio ao fim”, disse José Cid em entrevista.
A partir de então, José Cid passou a estar na moda junto de um público que tem entre 20 e 30 anos, que era criança no tempo em que participou em vários festivais da canção e que hoje sabe de cor muitas das suas canções.
“Estou a gerir a minha passagem pelo grande público que é muito violenta mas que é muito compensadora a todos os níveis. Ter 67 anos e 10 concertos por mês para auditórios no mínimo com cinco mil pessoas é o melhor reconhecimento que podia ter na minha carreira”, disse.
É a faceta de cantor popular que quase se sobrepõe ao lado mais erudito, de compositor de rock progressivo, de álbuns conceptuais da música popular portuguesa, sobretudo nos anos 1970.
É autor de discos que são hoje referência, como “A Lenda de el-rei D. Sebastião” (1967) e “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas - Obra-Ensaio de José Cid” (1974), que editou com o Quarteto 1111.
A estes juntam-se ainda os discos a solo “José Cid” (A palha), de 1971, e “10.000 anos depois entre Vénus e Marte” (1978), entre centenas de canções que registou.
Este ano vai editar um novo álbum de originais - o primeiro desde 2003 - que tem como título provisório “Coisas do amor e do mar”, feito de pop rock e baladas e que contará com duetos com Susana Félix, Luís Represas e Rui Reininho.
Além deste, tem guardados, “à espera de melhores dias”, os álbuns “Fados e fandangos” e “Menino prodígio”, compostos desde meados dos anos 1990, época em que teve uma vida pública menos intensa mas nem por isso menos produtiva.
“Nos anos 1990 decidi que me ia retirar do grande mercado e fazer álbuns que pensei toda a vida fazer. Vou regressar às minhas origens, pensar que estou nos tempos do Quarteto 1111, ousado, contra o sistema, rebelde”, recorda José Cid.
Foi uma época em que fiz “Camões, as Descobertas… e nós” (1992), com a participação de Pedro Caldeira Cabral, Carlos do Carmo e Jorge Palma, “Ode a Federico García Lorca” (1998) ou o álbum de jazz “Cais do Sodré” (1999).
Perante esta diversidade, José Cid garante que não tem que ser musicalmente coerente - “Coerente era a minha avó!” - porque o mais importante é poder compor e cantar, fazer aquilo que sempre quis desde a infância, contrariando a vontade da família.
Nascido na Chamusca em 1942 no seio de uma família abastada, José Cid estreou-se como teclista aos 13 anos numa noite de Carnaval nos Babies, grupo de versões no qual militavam José Niza, Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho.
“Estava proibido pelos meus pais de cantar e proibido por um colégio religioso de saltar a janela e de cantar o que quer que fosse”, relembrou. Foi com os Babies que recebeu o primeiro salário como músico, cerca de 100 escudos.
A família sempre se opôs a que se dedicasse à música - só a irmã mais velha o apoiava - mas o pai, pragmático, acabou por reconhecer que financeiramente era vantajoso ser artista.
“Achou que eu estava na profissão certa porque ganhava dinheiro e não porque era aquilo que queria”, lamentou José Cid, referindo que, apesar dos pais terem sido “pessoas bastante ricas”, nunca se “pendurou” naquilo que eles lhe podiam oferecer.
“Tive sorte mas não tive uma vida facilitada”, reconheceu.
Hoje, aos 67 anos, José Cid diz que não é a idade mas a saúde que o preocupa.: “Quero cantar até poder mas não vou arrastar-me em palco se não tiver voz”.
Assume-se sobretudo como um cantor ao vivo, um dos poucos que canta as origens, “para as novas gerações perceberem que há rock e pop antes dos anos 1970″.
Afinal tudo se resume a uma equação simples: “Eu sento-me ao pianito, sorrio para as pessoas, começo a cantar e há um karma, um carisma qualquer que se transmite”.








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