Metade dos franceses não têm presidente!
11 juin 2009 por admin

Presidente que continua a ditar a lei no partido que o elegeu, rejeita todas as outras sensibilidades.
Enquanto Nicolas Sarkozy não deixar de ser o chefe real e omnipresente do partido (UMP) que o levou à presidência da França, enquanto ele não se puser, como os seus antecessores fizeram, a ser unicamente Presidente da República e não chefe de partido, só os seus adeptos têm presidente. Isto apesar de ele ter dito em campanha: “Eu quero ser o Presidente da República de todos os franceses”.
Mas não é só neste aspecto que Sarkozy falha em relação às promessas que fez durante a campanha eleitoral, pois entre promessas e mais e mais promessas, ele disse: “Eu quero ser o presidente do pleno emprego.” E ainda, “eu quero ser o presidente do poder de compra.” Dois pontos importantes do seu discurso na corrida à presidência que são manchas negras na sociedade francesa.
Nada de nada! Viagens e palhetas, galhofadas e falhanços, submissão aos poderosos, arrogância e falta de respeito. Em suma, todo o necessário para cozinhar um presidente nulo.
Esta é a minha opinião em relação a Sarkozy, uma opinião que, certamente, esbarra na de outros que pensam o contrário e que eu tenho o dever de respeitar. Porém, com todo o respeito que tenho pelos seus adeptos, alguns ferrenhos, é de caras que o presidente da França está a lidar com a França como se estivesse a lidar com uma quinta sua propriedade.
Para se aperceber que ele entende que isto é tudo dele, basta ver o caso de Bernard Tapie, que viu o seu litígio com o Crédit Lyonais acabar por ser resolvido não em tribunal, mas sim por uma não sei qual comissão, uma comissão nomeada a pedido do grande chefe para que o caso fosse resolvido in loco com a maior brevidade possível e, não sejamos ingénuos, com muito benefício para o antigo homem de negócios e dirigente desportivo
Que a comissão arbitral tinha ordens para dar muita nota a Tapie, está escarrapachado no resultado final
Foi, sem qualquer dúvida, a maior vergonha deste presidente: O Estado foi convidado a pagar a Bernard Tapie a soma de 289 milhões de euros, dos quais 45 a título de prejuízo moral.
Quarenta e cinco milhões de euros por prejuízo moral! Quanto tempo esteve Tapie na cadeia e em que condições? Pouquíssimo e certamente faustosamente instalado, no maior conforto e com direitos que os outros prisioneiros nunca tiveram nem terão: questão de poder ou não poder pagar.
Se bem me lembro, um rapaz que esteve encarcerado inocentemente mais de dez anos recebeu como indemnização à volta de 300.000 euros, uma mixaria ao lado dos 45 milhões com que Tapie se abotoou. Mas Tapie traiu os seus amigos para apoiar a candidatura de Sarkozy e essa coisa de trair é (quase) sempre bem paga.
Um presidente da república digno do seu posto, não faz política de “bas étage”, fazendo favores aos seus amigos e aos que traíram para o apoiar. Fazendo favores a este e àquele, um presidente fá-lo em detrimento do povo da Nação, ao qual ele deve dar-se por inteiro e a todos por igual.
Sarkozy é manhoso e tem sabido manter uma boa parte da imprensa manietada, usando o poder que os franceses lhe deram para incutir nos menos corajosos a ideia de que se não fizeram cuidado podem vir a ter problemas.
Porém, se os franceses entenderem que é com ele que querem continuar após 2012 e se o reelegerem, eles é que mandam.









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