Algo está a mudar e a crise está a “ajudar”!…

11 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira

Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira

Pode parecer contraditório afirmar que, de alguma forma, a actual crise está a ajudar-nos.
No entanto, se considerarmos que a difícil situação que o mundo atravessa era inevitável, face à falta de controlo do nosso sistema económico-financeiro, que se afundava num mar de astúcias especulativas, o retomar da discussão sobre a moral social e as suas responsabilidades, que começa a ser o tema predominante das discussões públicas, acaba por ser um bom sinal.
Com efeito, se alguns pensavam que, com alguns retoques “cosméticos”, a situação poderia recompor-se, hoje, avaliada a dimensão dos problemas e a forma de os evitar, não deixa alternativas que não passem pela moralização das nossas sociedades, respectivas instituições e pessoas.
No caso português isso é notório. Os três pilares da nossa democracia: o poder legislativo, executivo e judicial, estão debaixo de “fogo”!
Se antes, os “inocentes” programas do tipo “Big Brother”, entretinham o público curioso e ávido de voyerismo, com actores do “jet set” e candidatos à mesma palermice, hoje, o apetite devorador do grande público e dos media em geral, está centrado nos actores sociais do poder e nas suas novelas de interesses pessoais.
Se os escândalos de má utilização do poder são a ordem do dia dos jornais, rádios e televisões, não é menos verdade igualmente que, para alguns destes fazedores de opinião, interesses menos dignificantes e oportunistas, acabam por atirar para o “tribunal da opinião pública”, ansioso por apontar culpados, muitas acusações inconsistentes e sem fundamente.
Mas enfim, como “não há bela sem senão” e independentemente do efeito perverso do sensacionalismo que, levado à exaustão, pode conduzir-nos a uma total descrença em tudo e em todos, as pessoas estão muito mais atentas e críticas aos males da sociedade e de quem a dirige e, isso, é muito bom!
É salutar para a saúde da nossa cinzenta sociedade, ouvirmos, vermos e lermos políticos, juristas, intelectuais, religiosos, pensadores de toda a natureza e até o Sr. “Francisco do café”, clamarem pela necessidade de reafirmarmos valores de referência, essenciais à nossa consciência colectiva e vivência comum.
Finalmente e pelo eco da nossa imprensa livre, uma das felizes consequências de Abril de 74, a população portuguesa começa a detectar o que tem estado na origem de tantos dos nossos problemas (não todos, claramente…) e a desenhar o quadro da personalidade e carácter daqueles que nos devem dirigir e a repudiar, sem excepção, todos os comportamentos criticáveis, quer dos responsáveis pelo funcionamento das nossas instituições, quer pelos disfuncionamentos das mesmas.
Expressões como “Ele rouba, mas faz obra…” têm de ser banidas do nosso léxico, sempre que se trata de avaliar o desempenho dos nossos dirigentes.
O “poder”, numa sociedade democrática, seja ele pessoal, partidário ou de qualquer instituição, só se justifica se for exercido em função do bem colectivo. Os partidos, os dirigentes e respectivas instituições são uma emanação da sociedade e não o seu contrário.
Nenhuma razão, não afectando outros povos, pode inviabilizar a solução dos problemas do nosso povo, nomeadamente as de carácter eleitoral, perca de poder pessoal, de grupo ou de simples notoriedade pública. O “poder” deve subordinar-se causa pública e ser assumido com modéstia, honestidade, entrega, dinamismo e espírito de abertura aos restantes actores sociais. Nenhum cargo público ou partido político, mesmo maioritário, pode arrogar-se da exclusividade da verdade e nenhum homem ou mulher, detentor de responsabilidades no seio de uma instituição, deve reagir de forma autista à sua consciência ética, para obedecer cegamente à disciplina partidária.
A elevação moral da nossa sociedade e dos seus agentes é uma urgência!
Saibamos nós tirar as devidas leituras do que nos tem acontecido (e não tem acontecido…), para que a mudança das nossas atitudes, do mais simples cidadão ao mais elevado dirigente, possam conduzir a nossa sociedade, a um estatuto de maior dignidade e desenvolvimento.
Muitas vozes (e não são “vozes de burro”…) começam a publicitar as suas ideias sobre o tema. É preciso que elas se multipliquem e “varram” o País como uma lufada de ar fresco, afastando as nuvens poeirentas que ensombram a vida dos portugueses.

O restaurante O Lisboa encheu para Ruth Marlene

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

Na sexta-feira 15 de Maio, num muito agradável restaurante da região parisiense, juntaram-se mais de cem pessoas para fazer festança. Que tinham essas pessoas em comum se nem sequer se conheciam umas às outras. Simplesmente, era tudo gente amiga da festa!
Estou a falar-vos do restaurante Lisboa, de Alfredo Lisboa, em Drancy, onde a artista Ruth Marlene teve casa cheia a aplaudi-la.
Não foi esta a primeira vez que estive no O Lisboa em noites especiais e devo reconhecer que sempre que estive presente tudo se passou às mil maravilhas. Mas garanto que esta última noite, a de Ruth Marlene, não ficou a dever nada a nenhuma das anteriores. No mínimo, foi igual às melhores.
A artista convidada sabe da arte e encheu o restaurante de Alfredo Lisboa de alegria. Bravo Ruth, não mudes nada porque está tudo bem.
Ruth Marlene é uma artista consagrada e os portugueses destas bandas gostam dela, razão pela qual muitas associações a contratam para os seus espectáculos em grandes salas, o que, regra geral, redunda sempre em sucesso.
O Duo Emoção também actuou e não desmereceu. É um grupo que tem vindo a conquistar o seu espaço no seio da comunidade, um espaço que vai ganhando dimensão.
Porém, com Ruths ou sem elas, o O Lisboa é sempre um restaurante onde apetece estar. O quadro é agradável, o ambiente da casa é sempre impecável e o que lá se come é sempre apetitoso.
Por esta vez, tivemos direito a um prato com as famosas Noix de St. Jacques e a Presunto com melão na entrada e em seguida vieram o bacalhau à transmontana e o coelho à caçador. Uma ementa bem pensada e melhor confeccionada.
Gostei de encontrar alguns amigos, habituais nestas coisas de aplaudir artistas que valem a pena.
Não era uma festa de amigos de peito, mas foi uma festa de gente que confraternizou sem olhar a com quem fraternizava. Foi uma festa cinco estrelas. Tudo espectacular!
Brindemos à saúde do O Lisboa e dos restaurantes que fazem coisas destas tão a primor.
Um bravo ao casal Lisboa (nome próprio e não por ser da Capital) e um ruidoso tchim-tchim ao O Lisboa…

Texto & fotos : Mário Alves

Fado No Sinfonia: Lotação quase esgotada para António Barros

9 juin 2009 por admin · 3 Comentários 

O fadista/poeta António Barros foi o convidado de honra para o serão fadista que teve lugar no restaurante Sinfonia sexta-feira 15 de Maio e o Portugal Sempre, como amigo que é do fadista, aceitou o convite que este lhe fez para estar presente.
Apesar de este serão ter acontecido numa sexta-feira e não num sábado ou num domingo, a sala do Sinfonia estava praticamente cheia, o que provocou em António Barros boa disposição, creio mesmo que algum orgulho, por ver que tanta gente viera para o ouvir. Ora, como o fado é sempre o espelho do estado de espírito do fadista, a noite beneficiou com tal pormenor.
Mas o serão não contou apenas com António Barros. Andreia Filipa foi a voz feminina e o acompanhamento esteve a cargo dos músicos Filipe de Sousa e Fernando Riso na guitarra portuguesa, enquanto que na viola estiveram Casimiro Silva e Hugo Miguel. Casimiro e Miguel também cantaram.
António Barros é um fadista original, pois só canta fados por ele escritos, o que, por não estar ao alcance de todos os fadistas, deve ser tido em conta, e é um fadista que se ouve com bastante agrado, pela voz suave que tem e pela maneira como diz as palavras, uma maneira que dá a todos a possibilidade de perceberem o que diz e assim melhor compreenderem os poemas que escreveu.
Ao falar de António Barros, talvez não seja demais dizer que ele procura estar sempre presente nos bons acontecimentos fadistas da comunidade. Sempre que de Portugal cá vem alguém que mereça ser ouvido, em princípio, António Barros não falta. Porquê? Porque é um autêntico amante de fado e sabe que ao ouvir os mais confirmados nunca se desaprende. Antes pelo contrário…
Quanto a Andreia Filipa, digo o mesmo que disse sobre o que dela ouvi numa anterior ocasião: tem por onde se lhe pegue, pois tem presença e força na voz. Precisa apenas de praticar para se aperfeiçoar melodicamente e ganhar mais expressão.
Quanto às minhas preferências no que diz respeito a fadistas, devo precisar que elas vão ‘sempre’ para os que cantam para si próprios e não para o público. Quando se canta para o público perde-se expressão e isso tira ao fado a sua essência primeira, que é o sentimento.
Mas como o objectivo desta peça não é o de divagar sobre o que é ou deixa de ser o fado, o melhor é voltar ao Sinfonia para dizer que ali passei uma excelente (se estivesse na minha terra diria ‘bem boa’) noite de fado na qual, por estarem presentes, também participaram Jean Luck, um francês que esteve em Portugal como estudante, onde se deixou apanhar pelo bichinho do fado, e o conhecido artista de fado da comunidade Victor do Carmo.
O meu sentimento sobre como a noite se passou, posso exprimi-lo muito simplesmente: acho que todos ficarão a compreender se lhes disser que nestas ocasiões só aceito cantar se o que se estiver a passar for do meu agrado e se os guitarristas puderem acompanhar-me. E se o tacho estiver do meu agrado. Ora, como cantei… parece-me que está tudo dito.

Alves d’Oliveira

Alose Grillée aux epices

9 juin 2009 por admin · 1 Comentário 

INGRÉDIENTS (6 pers.)
- 2 filets d’alose (ou truite arc en ciel, ou saumon ) de 350 gr pièce avec la peau,
- 2 c. à soupe de vermouth sec,
- Le jus d’un citron vert,
- Le jus d’une demi-orange,
- 1 piment frais épépiné et finement haché,
- 1 gousse d’ail hachée menu,
- 1 c. à café de thym frais haché ou séché,
- 1/2 c. à café de poudre de 4 épices,
- 20 gr. de beurre coupé en petits morceaux.

PRÉPARATION
1. Mélangez dans un bol le vermouth, le jus de citron vert, le jus d’orange, le piment frais, l’ail, le thym et la poudre de quatre-épices Réservez cette marinade.
2. Rincez les filets sous l’eau froide et épongez-les dans du papier absorbant. Placez ensuite les filets dans un plat à four et arrosez les de marinade. Laissez-les mariner 15 mn.
3. Préchauffez le gril du four . Filtrez la marinade et réservez-la. Mettez les filets à griller , de 10 à 12 mn à 7,5 cm sous le gril, en les arrosant toutes les 3 mn avec la marinade.
4. Répartissez les morceaux de beurre sur les filets, remettez-les sous le gril, et faites-les cuire encore quelques secondes pour que le beurre fonde. Servez.

Bisque de crevettes

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

INGRÉDIENTS (6 à 8 pers.)
- 700g de crevettes cuites petites ou moyennes non décortiquées,
- 1 cuillère et 1/2 à soupe d’huile végétale,
- 2 oignons émincés,
- 1 belle carotte émincée,
- 2 branches de céleri émincées,
- 2 l d’eau,
- 1 filet de citron,
- 2 c à soupe de concentré de tomate,
- 1 bouquet garni,
- 50g de beurre,
- 50g de farine,
- 3 à 4 c à soupe de cognac,
- 15 cl de crème fleurette.
PRÉPARATION (30 mn)
Retirez les têtes et les carapaces des crevettes, et réservez-les pour le bouillon. Mettre les crevettes dans une jatte couverte au réfrigérateur.
Chauffez l’huile dans une cocotte , ajoutez les têtes et les carapaces et laissez cuire à feu vif en remuant jusqu’à ce qu’elles brunissent. Baissez légerement le feu, incorporez les légumes et faites_les revenir 5 mn, en tournant de temps en temps. Ajoutez l’eau, le jus de citron, le concentré de tomates et le bouquet garni. Portez le bouillon à ébullition , puis baissez le feu. Couvrez et laissez mijotez 25 mn. Filtrez le bouillon.
Dans une casserole à fond épais, chauffez le beurre à feu moyen, incorporez la farine, et faites dorer le mélange, en remuant de temps en temps. Ajoutez le cognac, versez peu à peu le bouillon de crevettes en fouettant vigoureusement afin que le mélange soit homogène.
Assaisonnez si necessaire. Baissez le feu, couvrez et laisser mijoter 5 mn en mélangeant fréquemment. Transférez la bisque dans une autre casserole, ajoutez la creme et le jus de citron, puis incorporez presque toute les crevettes réservées et faites chauffer à feu moyen.
Servez la bisque immédiatement garnie du reste de crevettes.

Companhia de Dança de Lisboa admite instalar a sede na Galiza

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

O director da Companhia de Dança de Lisboa admitiu hoje que a sede da estrutura pode ser transferida para a Galiza, eventualmente Vigo, se a Câmara de Lisboa não permitir o regresso ao Palácio dos Marqueses de Tancos.
“A instalação da nossa sede na Galiza, concretamente em Vigo, é uma hipótese que equacionamos completamente”, disse, à imprensa, o director da Companhia de Dança de Lisboa (CDL).
José Manuel Oliveira garantiu que já houve “contactos informais” no sentido da instalação da sede da CDL naquela região autónoma de Espanha, contactos que se poderão tornar “mais formais” caso das próximas autárquicas não resultem mudanças na liderança da Câmara de Lisboa.
“Os habitantes de Vigo costumam dizer ’somos de Vigo, capital Lisboa’, o que prova a relação muito especial que há entre as duas cidades”, acrescentou.
“A CDL não tem fronteiras. A nossa sede pode ser em qualquer lugar, o nosso trabalho é importante onde formos bem recebidos, e na Galiza temos sido muito bem recebidos”, afirmou.
No entanto, o responsável ressalvou que a CDL “ainda não desistiu de voltar” ao Palácio dos Marqueses de Tancos, onde esteve durante 20 anos, até ser despejada, em Novembro de 2007, pela Câmara de Lisboa.
Nesse dia, e em cumprimento de uma ordem do executivo camarário, a Polícia Municipal de Lisboa procedeu ao despejo do espólio da Companhia de Dança de Lisboa instalada no Palácio dos Marqueses de Tancos, na Rua da Costa do Castelo.
O despejo foi justificado pelo “perigo iminente de uma catástrofe”, dado o mau estado em que se encontravam as instalações à guarda da CDL.
O espaço ocupado pela CDL no Palácio dos Marqueses de Tancos, edifício do século XVI que sobreviveu ao terramoto de 1755, servia também para habitação de sete bailarinos e um guarda, que foram igualmente desalojados.
José Manuel Oliveira classifica essa acção de despejo como “uma espécie de assalto nazi”, mas manifestou-se esperançado na reversão da situação, para que a CDL possa voltar para lá.
“Gastámos lá mais de 400 mil euros em obras para travar a degradação, tornar o espaço habitável e dignificar o palácio, temos protocolo de cedência do imóvel válido até 2013, penso que temos direito a um espaço que é nosso”, referiu.
José Manuel Oliveira falava em Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha, onde participou na inauguração de um parque com o nome de Zeca Afonso, numa homenagem promovida por um grupo de amigos do cantautor português.

José Cid prepara-se para editar novo álbum

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

José Cid, distinguido a 22 de Maio pela Sociedade Portuguesa de Autores, está a viver um dos melhores momentos da sua carreira e prepara-se para editar um novo álbum, quando se pensava que, aos 67 anos, já estaria na reforma.
Tem cerca de 50 canções inéditas prontas a editar e uma agenda de concertos que lhe ocupa actualmente grande parte dos dias. Tem sido assim nos últimos quatro anos, desde que actuou no Maxime e foi chamado a substituir um cantor - cujo nome não revela - na Queima das Fitas do Porto.
“Senti naquele momento que alguma coisa tinha mudado, porque não era normal ter 15.000 jovens a cantar as minhas músicas do princípio ao fim”, disse José Cid em entrevista.
A partir de então, José Cid passou a estar na moda junto de um público que tem entre 20 e 30 anos, que era criança no tempo em que participou em vários festivais da canção e que hoje sabe de cor muitas das suas canções.
“Estou a gerir a minha passagem pelo grande público que é muito violenta mas que é muito compensadora a todos os níveis. Ter 67 anos e 10 concertos por mês para auditórios no mínimo com cinco mil pessoas é o melhor reconhecimento que podia ter na minha carreira”, disse.
É a faceta de cantor popular que quase se sobrepõe ao lado mais erudito, de compositor de rock progressivo, de álbuns conceptuais da música popular portuguesa, sobretudo nos anos 1970.
É autor de discos que são hoje referência, como “A Lenda de el-rei D. Sebastião” (1967) e “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas - Obra-Ensaio de José Cid” (1974), que editou com o Quarteto 1111.
A estes juntam-se ainda os discos a solo “José Cid” (A palha), de 1971, e “10.000 anos depois entre Vénus e Marte” (1978), entre centenas de canções que registou.
Este ano vai editar um novo álbum de originais - o primeiro desde 2003 - que tem como título provisório “Coisas do amor e do mar”, feito de pop rock e baladas e que contará com duetos com Susana Félix, Luís Represas e Rui Reininho.
Além deste, tem guardados, “à espera de melhores dias”, os álbuns “Fados e fandangos” e “Menino prodígio”, compostos desde meados dos anos 1990, época em que teve uma vida pública menos intensa mas nem por isso menos produtiva.
“Nos anos 1990 decidi que me ia retirar do grande mercado e fazer álbuns que pensei toda a vida fazer. Vou regressar às minhas origens, pensar que estou nos tempos do Quarteto 1111, ousado, contra o sistema, rebelde”, recorda José Cid.
Foi uma época em que fiz “Camões, as Descobertas… e nós” (1992), com a participação de Pedro Caldeira Cabral, Carlos do Carmo e Jorge Palma, “Ode a Federico García Lorca” (1998) ou o álbum de jazz “Cais do Sodré” (1999).
Perante esta diversidade, José Cid garante que não tem que ser musicalmente coerente - “Coerente era a minha avó!” - porque o mais importante é poder compor e cantar, fazer aquilo que sempre quis desde a infância, contrariando a vontade da família.
Nascido na Chamusca em 1942 no seio de uma família abastada, José Cid estreou-se como teclista aos 13 anos numa noite de Carnaval nos Babies, grupo de versões no qual militavam José Niza, Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho.
“Estava proibido pelos meus pais de cantar e proibido por um colégio religioso de saltar a janela e de cantar o que quer que fosse”, relembrou. Foi com os Babies que recebeu o primeiro salário como músico, cerca de 100 escudos.
A família sempre se opôs a que se dedicasse à música - só a irmã mais velha o apoiava - mas o pai, pragmático, acabou por reconhecer que financeiramente era vantajoso ser artista.
“Achou que eu estava na profissão certa porque ganhava dinheiro e não porque era aquilo que queria”, lamentou José Cid, referindo que, apesar dos pais terem sido “pessoas bastante ricas”, nunca se “pendurou” naquilo que eles lhe podiam oferecer.
“Tive sorte mas não tive uma vida facilitada”, reconheceu.
Hoje, aos 67 anos, José Cid diz que não é a idade mas a saúde que o preocupa.: “Quero cantar até poder mas não vou arrastar-me em palco se não tiver voz”.
Assume-se sobretudo como um cantor ao vivo, um dos poucos que canta as origens, “para as novas gerações perceberem que há rock e pop antes dos anos 1970″.
Afinal tudo se resume a uma equação simples: “Eu sento-me ao pianito, sorrio para as pessoas, começo a cantar e há um karma, um carisma qualquer que se transmite”.

Carminho edita primeiro álbum

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

A fadista Carminho, Prémio Amália Revelação 2006, edita o seu primeiro álbum, em que procura reflectir o caminho que já fez, e se estreia como letrista.
“Esses dois temas de minha autoria foi um atrevimento que achei que podia ser interessante. Como escrevo habitualmente, pedi opinião se fazia sentido ou não, e decidi-me”, lançou.
Carminho assina “Palavras dadas”, que interpreta na música do Fado Rosita de Joaquim Campos, com arranjos de Ricardo Rocha, e “Nunca é silêncio vão” que canta na música do fado Pedro Rodrigues.
Em declarações à imprensa, Carminho justificou o ambiente musical tradicional que caracteriza o álbum, por querer que o disco reflectisse o seu percurso até aqui.
“Queria que este primeiro disco reflectisse a pessoa que sou, que fui construindo ao longo deste tempo que passou, o que fui aprendendo, os sítios por onde andei, os fados que cantei. E de facto o que vivi e cantei foi muito fado tradicional, e é onde me sinto mais à vontade e mais verdadeira”, disse a jovem fadista.
“Eu quis pôr num disco aquilo que foi o meu passado e não aquilo que possa ser o meu futuro”, acrescentou.
Referindo-se ao disco, gravado com quatro guitarristas diferentes, Carminho dividiu-o em três partes principais: “Temas do meu passado como ‘Senhora da Nazaré’ ou ‘Marcha de Alfama’ que foram evoluindo comigo, os que representam o meu presente como ‘Escrevi teu nome no vento’, e por último aqueles que fazia sentido nesta altura cantar como ‘Espelho quebrado’, as letras que escrevi, e mais os de autores que gostaria de ter no meu repertório como Aldina Duarte, Fernando Tordo ou João Monge”.
A escolha dos quatro guitarristas para a acompanhar - Ricardo Rocha, José Manuel Neto, Bernardo Couto e Ângelo Freire - foi justificada pela fadista por não querer “um som muito marcante logo no primeiro disco”.
“Quando pensei em sonoridade, não consegui restringir-me a um só som, criar um som muito marcante, ligado a um só guitarrista, mas sentir o que senti nestes últimos anos em que fui acompanhada por muita gente, e estes são os que mais gosto que me acompanhem”, explicou.
“Por outro lado - prosseguiu - reflecte o ambiente de onde venho. Reconheço que é arriscado à partida procurar como que uma paleta de sons, mas estão todos seguros pela base do Diogo Clemente [viola] e do Marino de Freitas [viola-baixo] que se adaptam sem fazer a sua própria força e ficou tudo muito coeso”.
Da área do jazz, o contrabaixista Carlos Barreto tem uma participação especial em “Espelho quebrado” (David Mourão-Ferreira/Alain Oulman). Uma escolha para fugir “à interpretação muito forte e marcante de Amália e desta forma homenageá-la explorando novos universos, como ela o fez”.
Entre os temas já conhecidos, Carminho interpreta “Escrevi teu nome no vento” (Jorge Rosa/Raul Ferrão), “A Bia da Mouraria” (António José/ Nóbrega e Sousa), “Meu amor marinheiro” (António Campos/ Joaquim Pimentel), e “Marcha de Alfama” (Amadeu do Vale/ Raul Ferrão).
Dos 14 temas que constituem o disco, nove são inéditos, assinados dois por si, e ainda por Aldina Duarte, João Monge, e Diogo Clemente que assume também a produção.
Carminho é filha da fadista Teresa Siqueira e começou a cantar “por volta dos 12 anos”, porém a profissionalização só a encarou mais recentemente, terminada a licenciatura em marketing e depois de ter dado uma volta ao mundo.
“Tinha de perceber do que era feita para saber o que ia dar”, disse.
Quando regressou sentiu que “queria cantar por inteiro” e o primeiro álbum é editado em Junho pela EMI Music.
Se a mãe é “uma referência constante e desde logo a primeira”, no universo do fado Carminho referiu influências directas como as de Beatriz da Conceição, o violista Paquito, o guitarrista Fontes Rocha ou Celeste Rodrigues, “a incontornável Amália Rodrigues”, e ainda M.ª José da Guia, M.ª Teresa de Noronha, e Fernando Maurício.
“Fiz questão de ter muitas influências para me tornar eu própria”, disse.

Belém Werneck lança novo álbum

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

A cantora brasileira Belém Werneck, bem conhecida na comunidade, vem de lançar o seu novo álbum (A cantar na língua de Camões).
Depois de uma ‘tournée’ de apresentação em Portugal, nas rádios e nas televisões, Belém Werneck procura agora mostrar o seu trabalho à comunidade portuguesa - na qual está inserida por união - e tem palmilhado a França e os países limítrofes actuando nas associações portuguesas e também nos restaurantes que possuem salas com a dimensão que um espectáculo exige.
Já tive oportunidade de assistir a um espectáculo de Belém Werneck e pude ouvir algumas das suas novas canções. Porém, nessa ocasião não deu para analisar o teor de cada tema. Agora, na quietude do meu cantinho pessoal, ouvi e voltei a ouvir todas as músicas vezes suficientes para me aperceber que, a meu ver, das canções que compõem o disco, a que lhe deu o nome (A cantar na língua de Camões) não é aquela de que mais gostei.
Os títulos “Balanço empolgado” (n.º 1) e “Mel doce” (n.º 6) são, quanto a mim, os que têm mais arcaboiço.

António de Oliveira

Pedro Moutinho serve “Um Copo de Sol”

9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário 

Ao terceiro disco, Pedro Moutinho serve “Um Copo de Sol”. Um registo que é apresentado através do tema homónimo composto por Amélia Muge e que fala sobre “paixões siderais de Lisboa até Cascais”.
“Este tema define muito aquilo que foram os meus últimos 15 anos. Este é um disco de histórias, pequenas histórias que eu já vivi, e que define aquilo que eu sou”, afirma o fadista.

Rodrigo Leão e Tiago Bettencourt no disco

Entre fados tradicionais e inéditos, “Um Copo de Sol” conta com a assinatura de dois autores que se estreiam dentro deste género musical: Rodrigo Leão e Tiago Bettencourt. O ex-vocalista dos Toranja avisou à partida que “não sabia escrever fados”, mas acabou por criar o tema “Vou-te levando em segredo”.
Pedro Moutinho voltou a colaborar com Carlos Manuel Proença, produtor dos dois álbuns anteriores “e do próximo, se ele quiser”, contou o fadista. A experiência em estúdio nem sempre é a mais fácil, uma vez que está mais habituado a cantar em casas de fado e salas de espectáculo.
“Quando canto fado, preciso de ser ouvido. Se eu sentir que as pessoas não me estão a ouvir, se calhar não consigo dar tanto. E o que se passa em estúdio é que eu estou a cantar para o técnico de som - o Naná -, para o Carlos Manuel, para o Zé Manuel Neto (guitarra), para o Daniel Pinto (baixo)… Apago as luzes e canto para eles, tentando criar o meu próprio ambiente no estúdio”, explicou.

O destino de ser fadista

Irmão de Camané e Hélder Moutinho, Pedro não sente a pressão de ter crescido numa família com fortes ligações ao fado. Afinal de contas, ser fadista sempre foi o seu destino.
“Eu cresci no meio dos fadistas (…) e na minha família acabámos todos por seguir esse percurso. Não sinto que seja um peso, mas era uma daquelas coisa que tinha de ser assim. Não fomos obrigados a ser fadistas - foi o fado que veio ter connosco.”