Algo está a mudar e a crise está a “ajudar”!…
11 juin 2009 por admin · Deixar um comentário

Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira
Pode parecer contraditório afirmar que, de alguma forma, a actual crise está a ajudar-nos.
No entanto, se considerarmos que a difícil situação que o mundo atravessa era inevitável, face à falta de controlo do nosso sistema económico-financeiro, que se afundava num mar de astúcias especulativas, o retomar da discussão sobre a moral social e as suas responsabilidades, que começa a ser o tema predominante das discussões públicas, acaba por ser um bom sinal.
Com efeito, se alguns pensavam que, com alguns retoques “cosméticos”, a situação poderia recompor-se, hoje, avaliada a dimensão dos problemas e a forma de os evitar, não deixa alternativas que não passem pela moralização das nossas sociedades, respectivas instituições e pessoas.
No caso português isso é notório. Os três pilares da nossa democracia: o poder legislativo, executivo e judicial, estão debaixo de “fogo”!
Se antes, os “inocentes” programas do tipo “Big Brother”, entretinham o público curioso e ávido de voyerismo, com actores do “jet set” e candidatos à mesma palermice, hoje, o apetite devorador do grande público e dos media em geral, está centrado nos actores sociais do poder e nas suas novelas de interesses pessoais.
Se os escândalos de má utilização do poder são a ordem do dia dos jornais, rádios e televisões, não é menos verdade igualmente que, para alguns destes fazedores de opinião, interesses menos dignificantes e oportunistas, acabam por atirar para o “tribunal da opinião pública”, ansioso por apontar culpados, muitas acusações inconsistentes e sem fundamente.
Mas enfim, como “não há bela sem senão” e independentemente do efeito perverso do sensacionalismo que, levado à exaustão, pode conduzir-nos a uma total descrença em tudo e em todos, as pessoas estão muito mais atentas e críticas aos males da sociedade e de quem a dirige e, isso, é muito bom!
É salutar para a saúde da nossa cinzenta sociedade, ouvirmos, vermos e lermos políticos, juristas, intelectuais, religiosos, pensadores de toda a natureza e até o Sr. “Francisco do café”, clamarem pela necessidade de reafirmarmos valores de referência, essenciais à nossa consciência colectiva e vivência comum.
Finalmente e pelo eco da nossa imprensa livre, uma das felizes consequências de Abril de 74, a população portuguesa começa a detectar o que tem estado na origem de tantos dos nossos problemas (não todos, claramente…) e a desenhar o quadro da personalidade e carácter daqueles que nos devem dirigir e a repudiar, sem excepção, todos os comportamentos criticáveis, quer dos responsáveis pelo funcionamento das nossas instituições, quer pelos disfuncionamentos das mesmas.
Expressões como “Ele rouba, mas faz obra…” têm de ser banidas do nosso léxico, sempre que se trata de avaliar o desempenho dos nossos dirigentes.
O “poder”, numa sociedade democrática, seja ele pessoal, partidário ou de qualquer instituição, só se justifica se for exercido em função do bem colectivo. Os partidos, os dirigentes e respectivas instituições são uma emanação da sociedade e não o seu contrário.
Nenhuma razão, não afectando outros povos, pode inviabilizar a solução dos problemas do nosso povo, nomeadamente as de carácter eleitoral, perca de poder pessoal, de grupo ou de simples notoriedade pública. O “poder” deve subordinar-se causa pública e ser assumido com modéstia, honestidade, entrega, dinamismo e espírito de abertura aos restantes actores sociais. Nenhum cargo público ou partido político, mesmo maioritário, pode arrogar-se da exclusividade da verdade e nenhum homem ou mulher, detentor de responsabilidades no seio de uma instituição, deve reagir de forma autista à sua consciência ética, para obedecer cegamente à disciplina partidária.
A elevação moral da nossa sociedade e dos seus agentes é uma urgência!
Saibamos nós tirar as devidas leituras do que nos tem acontecido (e não tem acontecido…), para que a mudança das nossas atitudes, do mais simples cidadão ao mais elevado dirigente, possam conduzir a nossa sociedade, a um estatuto de maior dignidade e desenvolvimento.
Muitas vozes (e não são “vozes de burro”…) começam a publicitar as suas ideias sobre o tema. É preciso que elas se multipliquem e “varram” o País como uma lufada de ar fresco, afastando as nuvens poeirentas que ensombram a vida dos portugueses.
Bloco central, à esquerda, à direita ou?!…
1 juin 2009 por admin · Deixar um comentário
Com o aproximar das eleições legislativas portuguesas e na eminência de nenhum partido obter a maioria absoluta, muito se tem falado sobe o sistema de alianças que configurará (eventualmente) o novo governo português.
Socialistas com Bloquistas? Socialistas com Sociais Democratas? Sociais Democratas com Centristas? Razões de aritmética política, associadas aos interesses partidários, têm estado na origem das mais variadas especulações sobre o tema, “arrasando” individualmente qualquer uma destas propostas ou alimentando a esperança que, uma delas, venha a ser efectiva.
No resultado de tantos conflitos de interesses, de tanto “diz que disse” (ou não disse…), de tanta crítica acesa e violenta, a qualquer das soluções enumeradas, após as eleições e se o seu resultado não premiar, de forma convincente, nenhum dos partidos, as suas direcções vão ter grande dificuldade em engolir alguns “sapos” que agora têm produzido, em inúmeras declarações públicas. Entretanto, o tipo de representação democrática em que o País tem vivido, com o poder a ser distribuído entre os partidos políticos mais votados, por exclusão deliberada de outras alternativas, a futura solução governativa e no caso de nenhum partido alcançar a maioria absoluta, passará inevitavelmente por uma dessas associações partidárias.
Mas, se Portugal tivesse consciência do seu atraso estrutural, das suas assimetrias culturais e económicas e da inoperância e descrédito das suas instituições partidárias, haveria outras fórmulas de governo, quem sabe, muito mais inteligentes e eficazes, nem que fosse por um período transitório, … até “arrumar a casa”!
Actualmente, mais importante do que o ideário esquecido de cada partido, são as qualidades humanas de alguns dos seus membros. Qualidade que se distinguem na honestidade, capacidade de trabalho, decisão e de uma forte e voluntariosa entrega ao bem público. E isso existe em cada um dos partidos existentes, nem sempre premiados pelas suas respectivas direcções, para as quais só lhes interessam os interesses particulares do seu grupo restrito.
Por outro lado, os cidadãos de valor, não se encontram todos comprometidos nos partidos políticos e a democracia não se esgota no partidarismo. Muitos homens e mulheres, com excelentes qualidades e explícita vontade de desempenho no desenvolvimento económico e social do País, são pessoas independentes dos partidos e não se revêem nas suas estruturas.
Sendo que, não tendo Portugal um regime presidencialista, mas que o mesmo não se limita a um papel decorativo, cabendo-lhe também zelar pelo interesse nacional e se, no caso de o resultado das eleições vir a criar um cenário de impasse, para uma solução de governo a contento dos responsáveis partidários, o Presidente (este ou um outro) poderia desempenhar um papel extremamente importante na moralização e desenvolvimento sustentado do nosso País. Tratar-se-ia de elaborar um programa de governo, com base em muitas medidas pugnadas pelas organizações partidárias e que raramente são efectivadas pelos mesmas, quando se encontram no poder e designar, entre os cidadãos capazes, no interior e exterior dos partidos, os responsáveis pela sua aplicação.
A solução não é nova, já aconteceu após o 25 de Abril e só não foi mais longe porque contrariada, na altura, pela ambição das estruturas partidárias.
Não é menos democrática do que outras, na medida em que o Presidente é eleito por sufrágio universal e o programa de governo assentaria num largo consenso das propostas viáveis, contempladas teoricamente em muitos dos programas partidários.
Resta saber se a maioria dos partidos, representados no parlamento, iria aceitar tal desafio. Acho que não! Isso representaria a própria falência dos seus dirigentes e não cavariam a sua própria sepultura.
Mas como reagiria o povo português?
Uma pergunta que, por agora, não tem resposta fácil mas que, a continuarmos por muito mais tempo neste estado de coisas, poderá vir a revelar-se de forma menos própria.
Professores VS Ministra: A avaliação não pode ser um papão!
21 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Os problemas levantados com o novo processo de avaliação dos professores portugueses estão a seguir as mesmas pisadas da reforma do sistema de saúde, que conduziu à demissão do anterior Ministro.
Há já uma eternidade que se protesta contra a qualidade do ensino ministrado nas escolas portuguesas e que têm tido, como consequência, uma excessiva incapacidade dos nossos jovens em apreender as matérias e a saber utilizá-las na vida prática e profissional. No entanto, longe de mim culpabilizar apenas os professores pelos fracassos na formação dos alunos. Os programas de ensino, os métodos pedagógicos aplicados, a desresponsabilização de pais e encarregados de educação, a falta de condições sócio-económicas das populações de muitas zonas habitacionais problemáticas; os problemas de adaptação do nosso ensino, à multiplicidade étnica do nosso País, a desadequação de muitos cursos escolares, face ao mercado de trabalho, entre outras, são igualmente razões que têm conduzido o nosso sistema educativo a bloqueamentos e aos maus resultados práticos.
Mas é evidente que, quando se fala de reformar o sistema, o Ministério da Educação é o primeiro visado e interessado em ter os melhores agentes de ensino, privilegiando aqueles que dêem provas de desempenhar cabalmente a sua profissão. E aqui entramos directamente nos problemas da avaliação do desempenho dos professores.
A este propósito, tenho visto e ouvido: quer a Ministra; quer os sindicatos; quer os políticos, quer quem não envolvido directamente neste conflito, acha (e muito bem) ter uma opinião.
Os professores e os seus respectivos sindicatos queixam-se, fundamentalmente, de que as avaliações, de acordo com o sistema aplicado pelo Ministério, são feitas por colegas que não têm competência científica para o fazer. Além disso, o processo é de tal forma burocratizado, que lhes retira o tempo necessário para o ensino.
A Ministra, insensível à dimensão dos protestos, diz que o sistema é lei e a lei é para ser cumprida, mantendo-se inabalável na sua decisão.
Os políticos, de um lado e de outro e face à proximidade de eleições legislativas nacionais, optam por avaliar os ganhos ou as percas eleitorais, que este braço de ferro tem proporcionado, reagindo em função dos seus objectivos, mas sem assumir uma posição inequívoca quanto ao assunto.
Como a educação é um assunto de interesse nacional, permitam-me também ter uma opinião!
Uma avaliação, de quem quer que seja, é para melhorar quem está a ser avaliado e os resultados do seu trabalho. Logo, a avaliação dos professores é, em si mesmo, um
princípio inquestionável. Mas, se a avaliação for mal feita, o resultado é precisamente o inverso.
E se o processo de avaliação se traduz numa carga excessiva de trabalho burocrático para o técnico de ensino, retirando-lhe o tempo necessário para ensinar, então o prejuízo é ainda maior.
Mas, o que me surpreende nisto tudo, é o facto de estarmos perante um problema cuja solução, no quadro da democracia em que o País se encontra e tendo como objectivo prioritário a melhoria do nosso sistema de ensino, as posições estejam tão extremadas e tão tensas, como se não houvesse saída possível que o bom senso democrático não pudesse resolver:
-Ou a Ministra entende (ou lhe fazem entender…) que a confortável posição parlamentar que o governo dispõe, é igual à ditadura da maioria, assumindo uma posição de quero, posso e mando, não considerando as razões da contestação dos professores e não se disponibilizando para encontrar uma fórmula consensual, que atinja os mesmos propósitos;
-Ou as razões profundas da contestação dos professores têm pouco haver com o método, mas muito mais com a essência do processo, ou seja, não quererem ser avaliados. E nessa suposição, a defesa do adiamento da aplicação do actual método de avaliação, para daqui a uns anos, pode levar-nos a pensar isso mesmo: “enquanto o pau vai e vem, …folgam-me as costas” e, se for esse o caso, é preciso afirmá-lo honestamente!
Em qualquer dos casos e não perdendo de vista o fundamental (melhorar o sistema educativo português): os sindicatos não podem (não devem) refugiar-se na defesa corporativa dos interesses da classe que dizem representar; os professores devem tomar consciência da responsabilidade da profissão que abraçaram; a Ministra deve abandonar a sua inflexibilidade (para não dizer “birra”) e encontrar a fórmula de avaliação, cuja aplicação não desvirtue o essencial da questão e a oposição política deverá criticar, construtivamente, o processo, não dando a impressão de estar a deixar o “trabalho sujo” para este governo, prolongando o actual estado de coisas, com a finalidade de obter dividendos eleitorais.
Entre outros problemas graves da sociedade portuguesa, há muito mais a fazer para melhorar a qualidade do nosso ensino e, a avaliação dos professores, é uma “gota de água” num “oceano” de problemas, bem mais difíceis de solucionar.
Sejamos todos mais razoáveis e responsáveis!
Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira Um mundo por inventar!?…
24 novembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Na sua maior parte, as crónicas semanais deste espaço, têm sido dedicadas a assuntos e factos ligados ao nosso quotidiano de “sabores e dissabores”.
Porque os temas escolhidos estão na ordem do dia e porque nos suscitam interrogações, aprovações ou reprovações, tenho exprimido a minha opinião, tentando não cair na insensatez de falar, apenas por falar ou deixar de dizer o que penso, com receio de incomodar alguém.
Desta vez talvez vá incomodar alguém, porque vou falar de si, de mim e de muita gente que nos rodeia.
E isto porque, os factos circunstanciais que conduziram o nosso chamado «mundo moderno» a uma profunda crise, que ninguém ainda sabe como acabará, são a causa e o efeito da forma como nos habituámos (e nos habituaram…) a viver.
Num espaço de menos de 50 anos, a nossa vivência alterou-se de tal forma que, hoje, nos sentimos “despidos” se não possuirmos todos os objectos de “culto” da nossa civilização consumista.
Isto é tão verdade que sofremos amargamente se não temos: casas, carros, electrodomésticos, telefones portáteis, televisores, computadores, dinheiro para férias e restaurantes e toda uma panóplia de consequentes produtos consumidos pela actual sociedade.
Sentimo-nos irrealizados, tristes, insatisfeitos, pobres e tantas vezes revoltados, se não podemos adquirir o último grito da moda, da tecnologia ou algum símbolo relevante do modernismo.
Raras vezes olhamos para trás, revendo a vida da maioria dos nossos pais e avós, das dificuldades porque passaram, mas também da dignidade com que viveram!
É bem certo que a velha frase “pobres, … mas honrados” não traz felicidade a ninguém e estas minhas palavras não são, de forma alguma, uma apologia da pobreza. No entanto, se o futuro incerto que nos espera se traduzir numa diminuição da nossa capacidade de comprar, como habitualmente, não há que entrar em pânico, nem desesperar.
Uma boa parte daquilo que consumimos, em quantidade e qualidade, não são bens essenciais à vida e à nossa paz interior. Claro que nos dão bem-estar, que nos fazem sentir momentaneamente realizados mas, se for caso disso, podemos viver (e talvez melhor…) sem os milhares de superficialidades que nos rodeiam.
Mas, …o mais difícil, não será convencer aqueles cuja vida já foi madrasta, mas sim as gerações mais jovens!
Educados num mundo apelativo ao consumo sem restrições e a projectar as suas vidas pelas montras do “leve agora e pague depois”, as novas gerações sofrerão muito mais o impacto de uma crise, que lhes condicione o poder de aquisição, de tudo a que se habituaram.
O primeiro grito será de revolta! Revolta contra as falsas expectativas, que os anestesiaram para os verdadeiros problemas da vida e da sociedade, revolta contra as promessas que lhes foram feitas, revolta contra um mundo que parece estar a fazer “marcha-atrás”!
Parece mas não está! As sociedades humanas não recuam no tempo, estão em constante evolução, por muito conturbados que sejam alguns dos seus períodos. Se alguma coisa podemos aproveitar, deste tipo de crises que actualmente estamos a viver, é a possibilidade de reformulação do nosso tipo de vida e, para isso, todos temos de contribuir.
Praguejar contra tudo e contra todos não é solução e culpabilizar quem nos dirige não é suficiente, se não for acompanhado de uma alteração dos nossos hábitos, tantas vezes viciados!
Não será um exercício fácil. Exige uma profunda tomada de consciência, da forma física e espiritual da utilidade da vida e da consequência dos nossos gestos, tantas vezes iludidos pela “febre” desenfreada do consumo. Um consumo que tem esmagado os interesses de quem verdadeiramente produz riqueza material e imaterial, quer se encontrem nos serviços, fábricas e campos, ao nosso lado ou em continentes distantes, um consumo que, em geral, só tem dado lugar ao enriquecimento de todo o tipo de oligarquias especulativas.
Temos todos de trabalhar para construir uma sociedade mais justa, equilibrada e feliz porque, como disse inicialmente neste ping-pong de causa/efeito, se não modificarmos os nossos maus hábitos, estaremos a alimentar a origem dos nossos próprios males.
Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira : Afinal,… o Estado é preciso!
8 novembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Afinal o Estado é preciso!
Contra tudo e todos os que defendem a minimização do papel do Estado na economia dos países ocidentais, relegando-o para um papel secundário na administração do desenvolvimento económico dos povos, a realidade da “pura” economia liberal vem demonstrar que, mais uma vez, os Estados são obrigados a “salvar” os destroços causados pela avidez de lucros fáceis e rápidos, por parte das instituições que pugnam pela completa liberdade dos mercados de capitais.
E porque o Estado e os seus recursos financeiros não existem por si próprios, mas sim através dos dinheiros de todos os cidadãos nacionais, a resolução desta crise financeira, por muitos investimentos que sejam autorizados pelos vários dirigentes nacionais, trata-se afinal de investir dinheiros públicos e, como tal, estas decisões estão sujeitas à apreciação de todos os contribuintes.
Todos reconhecemos que é preciso sair deste “atoleiro” financeiro em que nos colocaram!
Todos estarão de acordo que, neste sistema social em que vivemos e que eventualmente queremos continuar, é preciso recolocá-lo em funcionamento, sem causar mais estragos!
Todos temem perder os seus bens, o seu dinheiro, o seu emprego, a sua paz e o seu bem-estar!
Mas,… desta vez e após a experiência histórica dos povos e o acesso ao conhecimento que nos privilegia, tentar salvar as finanças e a economia das nações, não pode ser apenas o simples exercício aritmético de dar dinheiro dos contribuintes a quem simplesmente o reclama, para sanear os seus próprios excessos.
O papel regulador dos Estados, no controlo das operações financeiras que se produzem nos seus territórios, no desenvolvimento económico dos respectivos países e na segurança das suas populações, não pode ser o de um mero observador dos negócios que se desenvolvem à escala mundial e, muito menos, o de um colaborador activo nas fraudes oportunistas, desenvolvidas por especuladores de toda a ordem.
De nada valem os pedidos de desculpas, a evocação de ignorância ou a justificação de incapacidade para alterar o actual estado de coisas. Neste último caso, é preciso denunciá-lo publicamente e esperar o repto da opinião pública e, nos casos de admissão de ignorância ou pedidos de perdão, só há uma forma de punir os responsáveis pela actual situação. Aliás, … aquela que a justiça aplica a qualquer outro vulgar cidadão que causa prejuízos à comunidade!
Desta vez não podem (não devem…) haver “paninhos quentes” para tratar os responsáveis que, a todos os níveis, causaram este “terramoto” planetário. Atribuir-lhes chorudas reformas antecipadas ou indemnizações milionárias (tantas vezes denunciadas em outras ocasiões…) seriam um escândalo. E não pode assim acontecer porque, os cidadãos, desta vez e muito mais do que antes, têm consciência de que é o seu dinheiro que está a ser utilizados para “salvar” a face ao caos em que nos envolveram.
A história não se repete da mesma maneira. Ela é como uma mola espiral que, apesar de poder percorrer, aparentemente, as mesmas curvas, é sempre diferente nos seus ciclos. Razão que nos leva a pensar que, desta vez, nada pode ficar na mesma!
Se agora se pede a intervenção dos Estados, para salvarem a crise em que nos encontramos, noutras ocasiões, em que os interesses privados acumulam lucros fabulosos e imorais, o Estado não pode ser acusado pelos mesmos, de intrometido e indesejável, quando intervém nas economias nacionais.
Se o papel dos Estados democráticos, no quadro do actual sistema económico em que vivemos e das relações inter-estatais que se estabelecem, é o de gerir os interesses públicos da melhor maneira, usando as mesmas ferramentas dos interesses privados, há que repensar o seu futuro papel, no domínio da intervenção económica dos respectivos países, nomeadamente nos sectores chave essenciais ao bem-estar das suas populações. Enquanto não for “inventado” um outro sistema económico-social, a competência de quem foi eleito e governa as respectivas nações, é tudo fazer para assegurar o presente e o futuro das suas populações. Façam-no,..mas não se esqueçam de que estão a gerir o nosso dinheiro!
Saibamos nós tirar as devidas lições do que se está a passar e, as soluções, hão-de aparecer!
A crise financeira e o efeito “dominó”!
21 octobre 2008 por admin · Deixar um comentário
É inevitável não continuar a falar sobre a actual crise financeira! Não só porque não há dia que passe sem que mais um banco peça “socorro”, como outras crises começam a dar sinais alarmistas.
Refiro-me, nomeadamente, às crises económicas, às recessões que alguns países estão a sofrer nas suas respectivas economias. E, porque um mal nunca vem só, acrescentam-se as crises sociais que lhes correspondem, com aumento do desemprego e abaixamento do poder de compra dos cidadãos.
Se, para alguns, o “centro de gravidade” do problema está nos Estados Unidos e, segundo os mesmos, as economias europeias não sofrem os mesmos perigos, para outros, a globalização e os entrosamentos das economias deste planeta, não nos dão essa visão tão optimista. Além disso e a avaliar pelas falências já conhecidas e pela ignorância dos poderes nacionais, face ao comportamento de algumas das suas instituições bancárias europeias, muito difícil será afirmar que elas estão fora de perigo.
Mesmo que a Europa (e por arrasto….) consiga ultrapassar o pior da sua crise financeira, para a qual os seus responsáveis políticos se apressam a garantir os depósitos dos seus cidadãos, injectando liquidez nos bancos, a recessão económica está aí, afectando os maiores países deste continente. E não se pense que os pequenos países, com fraco desenvolvimento em relação à média europeia (como é o caso de Portugal), por serem pequenos, serão poupados.
A recessão económica traz consigo imensos factores de agravamento das condições de comercialização dos produtos, como o aumento dos bens essenciais e uma retracção das exportações e, para um País como o nosso, que importa uma boa parte dos bens que consome, considerando as já difíceis condições de vida de muitos portugueses e que necessita de exportar, para equilibrar a sua balança de pagamentos, considerando que os habituais mercados para onde exporta estarão igualmente pouco receptivos, face às más condições económicas que atravessam, Portugal não será um oásis no meio do deserto. E outra coisa não era de esperar!
Desde 1986 que o País beneficia de enormes fundos europeus, destinados a acelerar o seu desenvolvimento e sustentabilidade. Agora, o que está em causa, não é o facto de esses mesmos fundos não terem sido utilizados da melhor maneira, mas a “imoralidade” de pensar que, a Europa, a braços com profundos problemas económicos, irá ajudar Portugal a ultrapassar os seus.
Se a nossa economia nacional não “andar para trás” ficará, pelo menos, a marcar passo e com menores condições do que outras, de retomar um ritmo razoável de crescimento, logo que sejam afastados os sinais mais graves da actual crise
E, tal como disse, se uma crise económica engendra uma crise social, bem podem as forças políticas, sindicais e pensadores de vária natureza, começar a pensar (o que já deveriam ter feito há mais tempo…) numa plataforma de entendimento nacional, (nem que seja a prazo) em vez de se degladiarem em acusações mútuas, conduzindo o país à exaustão e prepararem um efectivo e sólido caminho para o futuro de Portugal. E, às vezes, é nos períodos difíceis que se tomam as grandes decisões.
Mas, se o terreno está fértil para o aparecimento dos profetas saudosistas do “orgulhosamente sós” e das célebres poupanças salazaristas, que nos “garantiam” o isolamento internacional e a notável designação de “pobres, …mas honrados”, desiludam-se esses paladinos da desgraça, porque o mundo, o País e os seus cidadãos, já estão muito para além das teorias do passado e compreendem que, o seu lugar, é junto dos outros povos e as dificuldades devem ser assumidas em conjunto.
Desiludam-se igualmente os que, bem há pouco tempo, exibiam a Espanha como uma pátria apetecida e a Irlanda como um exemplo de sucesso económico. Afinal, ambos estão já em recessão económica, com repercussões inevitáveis e dolorosas na vida quotidiana dos seus naturais.
Nem os Estados Unidos, nem a Rússia (moderna ou antiga…), são igualmente exemplos de bom comportamento. A actual e histórica realidade que conhecemos, não nos merece confiança, quando repensamos o futuro.
O mundo está em plena mudança e, quando as raízes de um sistema social são postas em causa, não basta por uma “rolha no dique para evitar uma inundação”.
É preciso pensar o mundo de outra forma. Filósofos, precisam-se!…
A “roleta russa” da economia mundial
1 octobre 2008 por admin · Deixar um comentário
Já nos habituámos à ideia de que, quando sobem os preços do que comemos, do que vestimos e das habitações onde vivemos, a culpa é do aumento do preço do petróleo.
Além das implicações directas no preço dos combustíveis, sentida por todos nós quando tentamos encher o depósito do “carrito”, também nos disseram que o petróleo aumenta: porque os chineses e os indianos consomem muito; porque há tempestades no Golfo do México ou no Mar do Norte ou uma greve nas refinarias.
De vez em quando alguém, especialista na matéria, vem dizer-nos, (quase em sussurro…), que não é só isso!…Há também muita especulação financeira em torno das matérias-primas, gente que ganha dinheiro sem investir na produção de bens, …jogos da bolsa, …stocks de petróleo comprados a baixo preço e vendidos ao preço actual, etc.
Claro que, logo a seguir, outros comentadores de ar convincente, nos “descansam”, afirmando que o mercado se regula a si próprio, que tudo volta à calma anterior, que não há motivo para preocupações, que tudo isto não passa de uma crise passageira.
No entanto, nós, os leigos pagadores, que até já pensávamos conhecer alguma coisa destas “equações económicas”, começamos a duvidar desta “super auto-regulação” dos mercados, uma vez que, os combustíveis, neste carrossel mercantil do “sobe e desce”, continuam só a subir para o consumidor e duvidamos, cada vez mais, do antigo regresso à estabilidade dos preços.
Ainda não refeitos do “choque petrolífero”, ouvíamos falar da crise do “sub-prime” nos Estados Unidos, com o mesmo sentimento de quem escuta uma notícia de má colheita agrícola na “Cochinchina”.
Para o cidadão comum de outros continentes, o problema do crédito mal parado dos americanos é lá com os americanos! Porque é que isso nos iria incomodar? Estamos tão longe?!…
Os políticos, de forma sorridente, amenizavam as nossas preocupações, os financeiros afirmavam que o pior já tinha passado e os bancos exibiam orgulhosamente os seus lucros.
E todos nos habituaram a pensar que, se houvesse um problema grave, em algum grande banco americano, o governo do rico “Tio Sam” intervinha e resolvia o problema.
Qual não é o nosso espanto, quando nos noticiaram de que, um grande banco do Estados Unidos abre falência, que o “tio rico” nada faz para o salvar e uma boa parte dos bancos europeus, envolvidos em negócios congéneres, começam a anunciar muitos milhões de euros de prejuízo.
Desta vez, as autoridades europeias na matéria, esforçam-se por demonstrar que, o que se perde, não é assim tão grave (?), que o “crash” americano não vai arrastar o mercado europeu, que não há motivo para grandes preocupações.
No entanto e nas entre linhas, vão deixando antever que a actual situação põe em causa o crescimento económico, que paira uma ameaça de recessão, etc., …etc!
Como, e à força de tanta linguagem economicista dos jornais e telejornais, nós vamos apreendendo qualquer coisa deste estranho e complexo mundo económico-financeiro, começamos a apercebermo-nos de que, o resultado disto tudo, é mais uma factura a pagar pelo simples cidadão. Se a ele não incomoda as percas em bolsa, (não tem dinheiro para esses jogos perigosos…) já não é a mesma coisa em relação aos bens que tem de consumir e ao emprego que tem de manter. E uma recessão económica tem, necessariamente, graves consequências na nossa capacidade de subsistir!
O que nós todos percebemos hoje muito melhor (para quem já não o percebia há muito tempo…), é que todos estes “crânios” das finanças planetárias, arrastaram a economia mundial para uma “roleta russa”, retirando-lhe o valor do trabalho e da matéria essencial ao produto acabado, para o substituir pelo “valor virtual” das suas especulações.
Já sabemos o resto da história, se nos for contada com os mesmos argumentos do passado! O mercado acabará por “regularizar” a situação e a vida continua!
O que se esquecem de nos dizer é a panóplia de imensos sacrifícios que são pedidos ao cidadão, que vive apenas do seu trabalho, para já não falar das “sensibilidades” bélicas que aparecem associadas, quase sempre, nestes períodos e que conduziram os povos a enormes desgraças.
Espero que, desta vez e a avaliar pelas observações críticas que tem sido feitas à “miraculosa” auto-regulação dos mercados, o futuro possa corrigir esta autêntica fraude das teorias liberais.







