Fado No Sinfonia: Lotação quase esgotada para António Barros
9 juin 2009 por admin · 3 Comentários

O fadista/poeta António Barros foi o convidado de honra para o serão fadista que teve lugar no restaurante Sinfonia sexta-feira 15 de Maio e o Portugal Sempre, como amigo que é do fadista, aceitou o convite que este lhe fez para estar presente.
Apesar de este serão ter acontecido numa sexta-feira e não num sábado ou num domingo, a sala do Sinfonia estava praticamente cheia, o que provocou em António Barros boa disposição, creio mesmo que algum orgulho, por ver que tanta gente viera para o ouvir. Ora, como o fado é sempre o espelho do estado de espírito do fadista, a noite beneficiou com tal pormenor.
Mas o serão não contou apenas com António Barros. Andreia Filipa foi a voz feminina e o acompanhamento esteve a cargo dos músicos Filipe de Sousa e Fernando Riso na guitarra portuguesa, enquanto que na viola estiveram Casimiro Silva e Hugo Miguel. Casimiro e Miguel também cantaram.
António Barros é um fadista original, pois só canta fados por ele escritos, o que, por não estar ao alcance de todos os fadistas, deve ser tido em conta, e é um fadista que se ouve com bastante agrado, pela voz suave que tem e pela maneira como diz as palavras, uma maneira que dá a todos a possibilidade de perceberem o que diz e assim melhor compreenderem os poemas que escreveu.
Ao falar de António Barros, talvez não seja demais dizer que ele procura estar sempre presente nos bons acontecimentos fadistas da comunidade. Sempre que de Portugal cá vem alguém que mereça ser ouvido, em princípio, António Barros não falta. Porquê? Porque é um autêntico amante de fado e sabe que ao ouvir os mais confirmados nunca se desaprende. Antes pelo contrário…
Quanto a Andreia Filipa, digo o mesmo que disse sobre o que dela ouvi numa anterior ocasião: tem por onde se lhe pegue, pois tem presença e força na voz. Precisa apenas de praticar para se aperfeiçoar melodicamente e ganhar mais expressão.
Quanto às minhas preferências no que diz respeito a fadistas, devo precisar que elas vão ‘sempre’ para os que cantam para si próprios e não para o público. Quando se canta para o público perde-se expressão e isso tira ao fado a sua essência primeira, que é o sentimento.
Mas como o objectivo desta peça não é o de divagar sobre o que é ou deixa de ser o fado, o melhor é voltar ao Sinfonia para dizer que ali passei uma excelente (se estivesse na minha terra diria ‘bem boa’) noite de fado na qual, por estarem presentes, também participaram Jean Luck, um francês que esteve em Portugal como estudante, onde se deixou apanhar pelo bichinho do fado, e o conhecido artista de fado da comunidade Victor do Carmo.
O meu sentimento sobre como a noite se passou, posso exprimi-lo muito simplesmente: acho que todos ficarão a compreender se lhes disser que nestas ocasiões só aceito cantar se o que se estiver a passar for do meu agrado e se os guitarristas puderem acompanhar-me. E se o tacho estiver do meu agrado. Ora, como cantei… parece-me que está tudo dito.
Alves d’Oliveira






