Carminho edita primeiro álbum
9 juin 2009 por admin · Deixar um comentário
A fadista Carminho, Prémio Amália Revelação 2006, edita o seu primeiro álbum, em que procura reflectir o caminho que já fez, e se estreia como letrista.
“Esses dois temas de minha autoria foi um atrevimento que achei que podia ser interessante. Como escrevo habitualmente, pedi opinião se fazia sentido ou não, e decidi-me”, lançou.
Carminho assina “Palavras dadas”, que interpreta na música do Fado Rosita de Joaquim Campos, com arranjos de Ricardo Rocha, e “Nunca é silêncio vão” que canta na música do fado Pedro Rodrigues.
Em declarações à imprensa, Carminho justificou o ambiente musical tradicional que caracteriza o álbum, por querer que o disco reflectisse o seu percurso até aqui.
“Queria que este primeiro disco reflectisse a pessoa que sou, que fui construindo ao longo deste tempo que passou, o que fui aprendendo, os sítios por onde andei, os fados que cantei. E de facto o que vivi e cantei foi muito fado tradicional, e é onde me sinto mais à vontade e mais verdadeira”, disse a jovem fadista.
“Eu quis pôr num disco aquilo que foi o meu passado e não aquilo que possa ser o meu futuro”, acrescentou.
Referindo-se ao disco, gravado com quatro guitarristas diferentes, Carminho dividiu-o em três partes principais: “Temas do meu passado como ‘Senhora da Nazaré’ ou ‘Marcha de Alfama’ que foram evoluindo comigo, os que representam o meu presente como ‘Escrevi teu nome no vento’, e por último aqueles que fazia sentido nesta altura cantar como ‘Espelho quebrado’, as letras que escrevi, e mais os de autores que gostaria de ter no meu repertório como Aldina Duarte, Fernando Tordo ou João Monge”.
A escolha dos quatro guitarristas para a acompanhar - Ricardo Rocha, José Manuel Neto, Bernardo Couto e Ângelo Freire - foi justificada pela fadista por não querer “um som muito marcante logo no primeiro disco”.
“Quando pensei em sonoridade, não consegui restringir-me a um só som, criar um som muito marcante, ligado a um só guitarrista, mas sentir o que senti nestes últimos anos em que fui acompanhada por muita gente, e estes são os que mais gosto que me acompanhem”, explicou.
“Por outro lado - prosseguiu - reflecte o ambiente de onde venho. Reconheço que é arriscado à partida procurar como que uma paleta de sons, mas estão todos seguros pela base do Diogo Clemente [viola] e do Marino de Freitas [viola-baixo] que se adaptam sem fazer a sua própria força e ficou tudo muito coeso”.
Da área do jazz, o contrabaixista Carlos Barreto tem uma participação especial em “Espelho quebrado” (David Mourão-Ferreira/Alain Oulman). Uma escolha para fugir “à interpretação muito forte e marcante de Amália e desta forma homenageá-la explorando novos universos, como ela o fez”.
Entre os temas já conhecidos, Carminho interpreta “Escrevi teu nome no vento” (Jorge Rosa/Raul Ferrão), “A Bia da Mouraria” (António José/ Nóbrega e Sousa), “Meu amor marinheiro” (António Campos/ Joaquim Pimentel), e “Marcha de Alfama” (Amadeu do Vale/ Raul Ferrão).
Dos 14 temas que constituem o disco, nove são inéditos, assinados dois por si, e ainda por Aldina Duarte, João Monge, e Diogo Clemente que assume também a produção.
Carminho é filha da fadista Teresa Siqueira e começou a cantar “por volta dos 12 anos”, porém a profissionalização só a encarou mais recentemente, terminada a licenciatura em marketing e depois de ter dado uma volta ao mundo.
“Tinha de perceber do que era feita para saber o que ia dar”, disse.
Quando regressou sentiu que “queria cantar por inteiro” e o primeiro álbum é editado em Junho pela EMI Music.
Se a mãe é “uma referência constante e desde logo a primeira”, no universo do fado Carminho referiu influências directas como as de Beatriz da Conceição, o violista Paquito, o guitarrista Fontes Rocha ou Celeste Rodrigues, “a incontornável Amália Rodrigues”, e ainda M.ª José da Guia, M.ª Teresa de Noronha, e Fernando Maurício.
“Fiz questão de ter muitas influências para me tornar eu própria”, disse.







