Eleições mostram um CCP em queda livre

16 mai 2008 por admin · Deixar um comentário 

Órgãos federadores do associativismo são desastrosamente dermatoses

O CCP não sabe travar na descida e vai pela ribanceira abaixo até ao fundo da ravina, para se estatelar e morrer.

É isto que se deduz perante o tão minguado interesse que as comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo prestaram à eleição dos seus representantes (conselheiros) para este órgão na eleição de 20 de Abril último.

Apenas 12 mil votantes entre os tão anunciados e reivindicados 5 milhões de emigrantes portugueses. Uma vergonha para quem esteve envolvido, vencedores como vencidos, uma vez que os eleitos não foram além do pouquíssimo.

Agora, diz-se à boca cheia que a culpa é do governo português e dos seus representantes, que não terão informado o suficiente para que os portugueses se deslocassem.

Talvez, mas só em parte, porque a maioria dos candidatos, vencidos como vencedores, vêm do associativismo e ninguém melhor do que as associações pode motivar o pessoal. Ou não é assim?

Há eleitos que nem sequer conseguiram tantos votos como sócios tem a sua associação. Macacos me mordam se percebo…

Se em vez de se terem preocupado com ninharias, como colóquios sem qualquer interesse e acções de pura autopromoção, os conselheiros cessantes se tivessem preocupado, um pouco que fosse, com acções de informação junto das associações, tenho a certeza que haveria muito mais gente a votar.

Não o fizeram e, por isso, contribuíram para um fim inglório do órgão consultivo que o Governo desdenha consultar.

António Braga, actual secretário de Estado das comunidades, que devia ter sido o elo de ligação entre Lisboa e o CCP, em vez disso, humilhou-o este órgão sem freio.

Porquê? É óbvio. Porque encontrou pela frente conselheiros moles, sobretudo os cabecilhas, que tudo quanto sabiam fazer era passar graxa, talvez na procura de uma medalhita.

Porém, para além da ineficácia dos conselheiros do CCP cessante, há que ter em conta, também, que, no que diz respeito à difusão da informação junto da comunidade, o associativismo esteve praticamente ausente.

As eleições para o CCP vieram atestar o bem fundado das críticas que tenho vindo a fazer à maneira como tem funcionado uma grande parte do associativismo português. Um funcionamento que, que salvo raras e honrosas excepções, em nada engrandece o peso da comunidade junto das autoridades, de cá como de lá…

O resultado destas eleições são a prova de que o associativismo português em França está completamente esfrangalhado.

Se assim não fosse, tanto a Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF) como a Federação das Associações Portuguesas de França (FAPF) não teriam encaixado tamanha derrota: zero conselheiros tanto para a FAPF como para a CCPF! Dizer que foi uma derrota, seria favor, porque na realidade foi uma estrondosa derrocada! Inimaginável!

O presidente da FAPF, José Maria da Silva, que se apresentou ele mesmo a encabeçar a lista da sua federação, não conseguiu passar! Que ilações podemos tirar disto?

Eles podem dizer o que lhes der na gana em sua defesa, descarregando as culpas sobre o governo português ou sobre os seus representantes, por não terem informado o suficiente a comunidade sobre as eleições mas isso não os ilibará das suas evidentes falhas. Quem melhor do que o associativismo pode motivar a malta?

A FAPF, que esteve sempre representada no CCP, está a cair aos bocados e a sua derrota até acaba por não ser muito surpreendente, mas a CCPF, que afirma federar várias centenas de associações, era de esperar que obtivesse melhor resultado.

Porquê um resultado assim? Não será isto a prova de que as federações não federam nada e que as associações se estão a marimbar para elas?

As federações são necessárias para o bom entendimento das associações entre elas, mas só o conseguirão quando se decidirem a fazer associativismo em vez de praticarem despesismo em acções que, oh! quantas vezes, só eles interessam…