Bloco central, à esquerda, à direita ou?!…
1 juin 2009 por admin · Deixar um comentário
Com o aproximar das eleições legislativas portuguesas e na eminência de nenhum partido obter a maioria absoluta, muito se tem falado sobe o sistema de alianças que configurará (eventualmente) o novo governo português.
Socialistas com Bloquistas? Socialistas com Sociais Democratas? Sociais Democratas com Centristas? Razões de aritmética política, associadas aos interesses partidários, têm estado na origem das mais variadas especulações sobre o tema, “arrasando” individualmente qualquer uma destas propostas ou alimentando a esperança que, uma delas, venha a ser efectiva.
No resultado de tantos conflitos de interesses, de tanto “diz que disse” (ou não disse…), de tanta crítica acesa e violenta, a qualquer das soluções enumeradas, após as eleições e se o seu resultado não premiar, de forma convincente, nenhum dos partidos, as suas direcções vão ter grande dificuldade em engolir alguns “sapos” que agora têm produzido, em inúmeras declarações públicas. Entretanto, o tipo de representação democrática em que o País tem vivido, com o poder a ser distribuído entre os partidos políticos mais votados, por exclusão deliberada de outras alternativas, a futura solução governativa e no caso de nenhum partido alcançar a maioria absoluta, passará inevitavelmente por uma dessas associações partidárias.
Mas, se Portugal tivesse consciência do seu atraso estrutural, das suas assimetrias culturais e económicas e da inoperância e descrédito das suas instituições partidárias, haveria outras fórmulas de governo, quem sabe, muito mais inteligentes e eficazes, nem que fosse por um período transitório, … até “arrumar a casa”!
Actualmente, mais importante do que o ideário esquecido de cada partido, são as qualidades humanas de alguns dos seus membros. Qualidade que se distinguem na honestidade, capacidade de trabalho, decisão e de uma forte e voluntariosa entrega ao bem público. E isso existe em cada um dos partidos existentes, nem sempre premiados pelas suas respectivas direcções, para as quais só lhes interessam os interesses particulares do seu grupo restrito.
Por outro lado, os cidadãos de valor, não se encontram todos comprometidos nos partidos políticos e a democracia não se esgota no partidarismo. Muitos homens e mulheres, com excelentes qualidades e explícita vontade de desempenho no desenvolvimento económico e social do País, são pessoas independentes dos partidos e não se revêem nas suas estruturas.
Sendo que, não tendo Portugal um regime presidencialista, mas que o mesmo não se limita a um papel decorativo, cabendo-lhe também zelar pelo interesse nacional e se, no caso de o resultado das eleições vir a criar um cenário de impasse, para uma solução de governo a contento dos responsáveis partidários, o Presidente (este ou um outro) poderia desempenhar um papel extremamente importante na moralização e desenvolvimento sustentado do nosso País. Tratar-se-ia de elaborar um programa de governo, com base em muitas medidas pugnadas pelas organizações partidárias e que raramente são efectivadas pelos mesmas, quando se encontram no poder e designar, entre os cidadãos capazes, no interior e exterior dos partidos, os responsáveis pela sua aplicação.
A solução não é nova, já aconteceu após o 25 de Abril e só não foi mais longe porque contrariada, na altura, pela ambição das estruturas partidárias.
Não é menos democrática do que outras, na medida em que o Presidente é eleito por sufrágio universal e o programa de governo assentaria num largo consenso das propostas viáveis, contempladas teoricamente em muitos dos programas partidários.
Resta saber se a maioria dos partidos, representados no parlamento, iria aceitar tal desafio. Acho que não! Isso representaria a própria falência dos seus dirigentes e não cavariam a sua própria sepultura.
Mas como reagiria o povo português?
Uma pergunta que, por agora, não tem resposta fácil mas que, a continuarmos por muito mais tempo neste estado de coisas, poderá vir a revelar-se de forma menos própria.
Do Luxemburgo - Crónica de Luís Barreira : Afinal,… o Estado é preciso!
8 novembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Afinal o Estado é preciso!
Contra tudo e todos os que defendem a minimização do papel do Estado na economia dos países ocidentais, relegando-o para um papel secundário na administração do desenvolvimento económico dos povos, a realidade da “pura” economia liberal vem demonstrar que, mais uma vez, os Estados são obrigados a “salvar” os destroços causados pela avidez de lucros fáceis e rápidos, por parte das instituições que pugnam pela completa liberdade dos mercados de capitais.
E porque o Estado e os seus recursos financeiros não existem por si próprios, mas sim através dos dinheiros de todos os cidadãos nacionais, a resolução desta crise financeira, por muitos investimentos que sejam autorizados pelos vários dirigentes nacionais, trata-se afinal de investir dinheiros públicos e, como tal, estas decisões estão sujeitas à apreciação de todos os contribuintes.
Todos reconhecemos que é preciso sair deste “atoleiro” financeiro em que nos colocaram!
Todos estarão de acordo que, neste sistema social em que vivemos e que eventualmente queremos continuar, é preciso recolocá-lo em funcionamento, sem causar mais estragos!
Todos temem perder os seus bens, o seu dinheiro, o seu emprego, a sua paz e o seu bem-estar!
Mas,… desta vez e após a experiência histórica dos povos e o acesso ao conhecimento que nos privilegia, tentar salvar as finanças e a economia das nações, não pode ser apenas o simples exercício aritmético de dar dinheiro dos contribuintes a quem simplesmente o reclama, para sanear os seus próprios excessos.
O papel regulador dos Estados, no controlo das operações financeiras que se produzem nos seus territórios, no desenvolvimento económico dos respectivos países e na segurança das suas populações, não pode ser o de um mero observador dos negócios que se desenvolvem à escala mundial e, muito menos, o de um colaborador activo nas fraudes oportunistas, desenvolvidas por especuladores de toda a ordem.
De nada valem os pedidos de desculpas, a evocação de ignorância ou a justificação de incapacidade para alterar o actual estado de coisas. Neste último caso, é preciso denunciá-lo publicamente e esperar o repto da opinião pública e, nos casos de admissão de ignorância ou pedidos de perdão, só há uma forma de punir os responsáveis pela actual situação. Aliás, … aquela que a justiça aplica a qualquer outro vulgar cidadão que causa prejuízos à comunidade!
Desta vez não podem (não devem…) haver “paninhos quentes” para tratar os responsáveis que, a todos os níveis, causaram este “terramoto” planetário. Atribuir-lhes chorudas reformas antecipadas ou indemnizações milionárias (tantas vezes denunciadas em outras ocasiões…) seriam um escândalo. E não pode assim acontecer porque, os cidadãos, desta vez e muito mais do que antes, têm consciência de que é o seu dinheiro que está a ser utilizados para “salvar” a face ao caos em que nos envolveram.
A história não se repete da mesma maneira. Ela é como uma mola espiral que, apesar de poder percorrer, aparentemente, as mesmas curvas, é sempre diferente nos seus ciclos. Razão que nos leva a pensar que, desta vez, nada pode ficar na mesma!
Se agora se pede a intervenção dos Estados, para salvarem a crise em que nos encontramos, noutras ocasiões, em que os interesses privados acumulam lucros fabulosos e imorais, o Estado não pode ser acusado pelos mesmos, de intrometido e indesejável, quando intervém nas economias nacionais.
Se o papel dos Estados democráticos, no quadro do actual sistema económico em que vivemos e das relações inter-estatais que se estabelecem, é o de gerir os interesses públicos da melhor maneira, usando as mesmas ferramentas dos interesses privados, há que repensar o seu futuro papel, no domínio da intervenção económica dos respectivos países, nomeadamente nos sectores chave essenciais ao bem-estar das suas populações. Enquanto não for “inventado” um outro sistema económico-social, a competência de quem foi eleito e governa as respectivas nações, é tudo fazer para assegurar o presente e o futuro das suas populações. Façam-no,..mas não se esqueçam de que estão a gerir o nosso dinheiro!
Saibamos nós tirar as devidas lições do que se está a passar e, as soluções, hão-de aparecer!







