Os portugueses de hoje e os de ontem foram todos feitos da mesma massa, mas há quem pensam que não!
16 juin 2008 por admin · Deixar um comentário
Eu, que passo a vida a esfarrapar-me todo em defesa da nossa comunidade, chegando mesmo a exigir que português que venha de Portugal ou que por cá esteja há muito não diga mal dos seus compatriotas de cá, nem sempre consigo levar a água ao meu moinho.
Entre os que por cá andam há muito, também os há que, julgando-se superiores, rebaixam os seus compatriotas. São uns coitados, muitas vezes com complexos de inferioridade, que se querem evidenciar para esconder essa inferioridade e mais não fazem que se ridicularizarem ainda mais. Mas é sobretudo nos que só agora se lembraram de vir para cá, esses, que só porque passaram mais uns anos do que os antigos a romper traseiros de calças nos bancos das escolas, já se julgam com o direito de dizerem que lhes custa considerar os que cá estão como portugueses!
Sem querer ser provocador nem pretender fazer baixar a crista aos que estão agora a juntar-se a nós, parece-me que os menos portugueses são os que esperaram tanto para tentarem mudar de vida.
Não somos nós descendentes dos tais que partiam para parte incerta, sem grande esperança de regressar?
Nós, os que saímos de Portugal a tempo e horas, antes que os vampiros nos sugassem o sangue, é que somos os verdadeiros portugueses, os filhos de um povo que sempre soube procurar fora do país o que este não era capaz de lhe dar!
Receberei sempre os meus compatriotas de braços abertos, mas não os pingarelhos que cá chegam por estes tempos e se põem logo a brincar ao importante. É evidente que hoje se vai mais tempo à escola do que antigamente, mas a culpa disso não é de quem viveu Portugal naquele tempo, a culpa é dos que condicionaram a vida dos portugueses à miséria.
Mesmo que eles tenham o seu português mais apurado do que uma boa parte dos que agora lhes dão o método para se desenrascarem – porque se não houver compatriota que lhes dê a mão, coitados deles – os finórios são os que vieram enquanto era tempo e hoje vivem muito melhor do que viveriam se ainda estivessem em Portugal.
É verdade que muitos dos nossos pararam no tempo e desaprenderam o que sabiam sem aprenderem outra coisa, mas isso não é razão para que se diga que custa considerá-los portugueses.
Sim, há quem não tenha evoluído, quem não tenha procurado sair da mó de baixo culturalmente, mas e então, que mal tem isso? Seria melhor que essas pessoas soubessem tudo e não tivessem nada?
Pessoalmente, olhando para a comunidade portuguesa, da qual faço parte com muito orgulho, sinto que não devemos ter vergonha seja de quem for, muito menos de quem faz o que nós fizemos antes: procurar melhor vida.
Quem pela primeira vez vem de Portugal e, por força das circunstâncias, é logo confrontado com compatriotas que não puderam ou não souberam evoluir, não deve julgar-se superior, mas sim pensar no que era Portugal noutro tempo.
O que eu quero dizer aos de agora, é que fomos todos feitos da mesma massa, a situação do país é que mudou.
Se hoje trato este assunto, é porque tive há dias uma banal conversa com um compatriota chegado cá recentemente, que me disse estar desiludido com os portugueses de cá e que alguns nem sequer os considerava portugueses. O que nenhum português pode aceitar…







