Olimpismo: Atletismo assume oposição ao comandante que abandonou o barco e as tropas
21 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário
A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) assume a oposição à recandidatura do “comandante que abandonou o barco e as tropas” em Pequim2008 à presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP), reiterando a necessidade de analisar o sucedido.
“Aguardámos quase três meses por uma análise das questões de fundo, mas, com um tacticismo medíocre, o Comandante Vicente Moura, em violação dos estatutos do organismo, avançou para a candidatura extemporaneamente. Somos obrigados a tomar esta posição, não dar o nosso apoio”, afirmou em conferência de imprensa o presidente da FPA.
Fernando Mota, ladeado pelo presidente da Assembleia Geral da FPA, Vítor Mangerão, e pelo seu vice-presidente e chefe de equipa em Pequim2008, Luís Leite, criticou duramente “o facilitismo, os comportamentos, atitudes e declarações” de Moura, “antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos”.
“Avaliar o desempenho a meio, só porque não há medalhas e dizer-se que abandonava as tropas, ou seja, os atletas e, depois das medalhas de Vanessa Fernandes e Nelson Évora, voltar atrás? Isto não é de um líder, é de um cata-vento que se afastou do barco e da tripulação”, continuou Mota.
O líder da FPA acusou ainda Vicente Moura de desrespeitar atletas, treinadores e outros dirigentes com o seu espírito “autocrático” e o seu foco nos resultados desportivos, “numa grave violação do espírito olímpico” que faria “o Barão Pierre de Coubertain mexer-se na tumba”.
“O País não pode continuar bipolar. Neste maniqueísmo do oito ao oitenta. Já alguém lembrou que só houve outra situação com impacto mediático semelhante na sociedade portuguesa - o caso Saltillo (Mundial de futebol de 1986)”, declarou Mota, antes de Luís Leite confirmar que as declarações de Moura, durante o evento, provocaram “grande perturbação no seio de todas as equipas olímpicas portuguesas”.
A FPA, que numa conferência de imprensa em 29 de Agosto já tinha pedido um esclarecimento cabal de tudo o sucedido, exigiu ao COP um inquérito ao denominado “caso Marco Fortes” em 08 de Outubro, mas os seus responsáveis afirmaram que ainda não obtiveram resposta.
O lançador do peso Marco Fortes foi um dos atletas olímpicos cujas declarações foram consideradas polémicas e, segundo a FPA, o COP agiu com “o acto sancionatório de o mandar para casa sem qualquer processo disciplinar ou justificação”.
Vítor Mangerão sublinhou que os estatutos do COP estipulam a data de 10 de Fevereiro de 2009 como limite para a entrega de listas concorrentes aos órgãos sociais do organismo, devendo haver espaço para a discussão e, só depois, criadas as bases, o ‘timing’ de apresentação das listas, criticando também “o excesso de poderes institucionais na mesma pessoa”.
“Só admitiremos discutir eleições se todas as federações quiserem fazê-lo. Não temos qualquer candidato”, reiterou Fernando Mota, revelando que terá sido a FPA a convidar Vicente Moura para as eleições do COP em 1997, no primeiro de quatro mandatos seguidos à frente do organismo.
Fernando Mota negou que Leonel de Carvalho, antigo responsável pela segurança do Euro2004, tivesse o seu apoio numa eventual candidatura, sublinhando que a FPA “nunca contactou pessoas”, embora tenha sido abordada para apoiar o antigo presidente do Instituto do Desporto de Portugal, Manuel Brito, entretanto já retirado da corrida.
Vicente Moura já se reuniu na sede do organismo, em Lisboa, com várias federações olímpicas e não olímpicas, colhendo apoios da maioria, mas não convidou a FPA.
Posteriormente, mostrou-se aberto a uma reaproximação a Fernando Mota depois de confirmar que não existia uma candidatura autónoma por parte do atletismo, a modalidade mais medalhada de sempre em Jogos Olímpicos (10 desde Montreal1976) e a que, habitualmente, apresenta a maior delegação.







