Professores VS Ministra: A avaliação não pode ser um papão!
21 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Os problemas levantados com o novo processo de avaliação dos professores portugueses estão a seguir as mesmas pisadas da reforma do sistema de saúde, que conduziu à demissão do anterior Ministro.
Há já uma eternidade que se protesta contra a qualidade do ensino ministrado nas escolas portuguesas e que têm tido, como consequência, uma excessiva incapacidade dos nossos jovens em apreender as matérias e a saber utilizá-las na vida prática e profissional. No entanto, longe de mim culpabilizar apenas os professores pelos fracassos na formação dos alunos. Os programas de ensino, os métodos pedagógicos aplicados, a desresponsabilização de pais e encarregados de educação, a falta de condições sócio-económicas das populações de muitas zonas habitacionais problemáticas; os problemas de adaptação do nosso ensino, à multiplicidade étnica do nosso País, a desadequação de muitos cursos escolares, face ao mercado de trabalho, entre outras, são igualmente razões que têm conduzido o nosso sistema educativo a bloqueamentos e aos maus resultados práticos.
Mas é evidente que, quando se fala de reformar o sistema, o Ministério da Educação é o primeiro visado e interessado em ter os melhores agentes de ensino, privilegiando aqueles que dêem provas de desempenhar cabalmente a sua profissão. E aqui entramos directamente nos problemas da avaliação do desempenho dos professores.
A este propósito, tenho visto e ouvido: quer a Ministra; quer os sindicatos; quer os políticos, quer quem não envolvido directamente neste conflito, acha (e muito bem) ter uma opinião.
Os professores e os seus respectivos sindicatos queixam-se, fundamentalmente, de que as avaliações, de acordo com o sistema aplicado pelo Ministério, são feitas por colegas que não têm competência científica para o fazer. Além disso, o processo é de tal forma burocratizado, que lhes retira o tempo necessário para o ensino.
A Ministra, insensível à dimensão dos protestos, diz que o sistema é lei e a lei é para ser cumprida, mantendo-se inabalável na sua decisão.
Os políticos, de um lado e de outro e face à proximidade de eleições legislativas nacionais, optam por avaliar os ganhos ou as percas eleitorais, que este braço de ferro tem proporcionado, reagindo em função dos seus objectivos, mas sem assumir uma posição inequívoca quanto ao assunto.
Como a educação é um assunto de interesse nacional, permitam-me também ter uma opinião!
Uma avaliação, de quem quer que seja, é para melhorar quem está a ser avaliado e os resultados do seu trabalho. Logo, a avaliação dos professores é, em si mesmo, um
princípio inquestionável. Mas, se a avaliação for mal feita, o resultado é precisamente o inverso.
E se o processo de avaliação se traduz numa carga excessiva de trabalho burocrático para o técnico de ensino, retirando-lhe o tempo necessário para ensinar, então o prejuízo é ainda maior.
Mas, o que me surpreende nisto tudo, é o facto de estarmos perante um problema cuja solução, no quadro da democracia em que o País se encontra e tendo como objectivo prioritário a melhoria do nosso sistema de ensino, as posições estejam tão extremadas e tão tensas, como se não houvesse saída possível que o bom senso democrático não pudesse resolver:
-Ou a Ministra entende (ou lhe fazem entender…) que a confortável posição parlamentar que o governo dispõe, é igual à ditadura da maioria, assumindo uma posição de quero, posso e mando, não considerando as razões da contestação dos professores e não se disponibilizando para encontrar uma fórmula consensual, que atinja os mesmos propósitos;
-Ou as razões profundas da contestação dos professores têm pouco haver com o método, mas muito mais com a essência do processo, ou seja, não quererem ser avaliados. E nessa suposição, a defesa do adiamento da aplicação do actual método de avaliação, para daqui a uns anos, pode levar-nos a pensar isso mesmo: “enquanto o pau vai e vem, …folgam-me as costas” e, se for esse o caso, é preciso afirmá-lo honestamente!
Em qualquer dos casos e não perdendo de vista o fundamental (melhorar o sistema educativo português): os sindicatos não podem (não devem) refugiar-se na defesa corporativa dos interesses da classe que dizem representar; os professores devem tomar consciência da responsabilidade da profissão que abraçaram; a Ministra deve abandonar a sua inflexibilidade (para não dizer “birra”) e encontrar a fórmula de avaliação, cuja aplicação não desvirtue o essencial da questão e a oposição política deverá criticar, construtivamente, o processo, não dando a impressão de estar a deixar o “trabalho sujo” para este governo, prolongando o actual estado de coisas, com a finalidade de obter dividendos eleitorais.
Entre outros problemas graves da sociedade portuguesa, há muito mais a fazer para melhorar a qualidade do nosso ensino e, a avaliação dos professores, é uma “gota de água” num “oceano” de problemas, bem mais difíceis de solucionar.
Sejamos todos mais razoáveis e responsáveis!







