Obesos sobrevivem melhor a doenças cardiovasculares do que magros
10 juin 2009 por admin · Deixar um comentário
Os obesos correm o risco acrescido de ter doenças cardiovasculares mas também são os que, relativamente aos magros, sobrevivem melhor a essas patologias, revelou o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Manuel Carrageta, citando um estudo norte-americano.
O estudo, a cargo de médicos do Departamento de Prevenção e Reabilitação Cardíaca do Centro Médico Ochsner, em Nova Orleães, foi recentemente publicado na revista Jornal do Colégio Americano de Cardiologia, órgão do qual Manuel Carrageta é membro.
Em declarações à agência imprensa, o presidente da Federação Portuguesa de Cardiologia considerou a investigação “muito importante”, já que “veio confirmar o que se suspeitava: que os obesos suportam melhor as doenças cardiovasculares do que os magros”.
“A gordura acaba por dar ao organismo uma energia adicional que ajuda a combater a doença”, explicou, adiantando que as patologias cardíacas “comportam-se de maneira diferente” nas pessoas magras e nas que têm excesso de peso.
Nos obesos, a doença cardíaca é uma “consequência” do excesso de peso e nos magros é “hereditária”, precisou Manuel Carrageta.
O “facto novo” indicado pelo estudo, e também paradoxal, segundo o cardiologista, é que, apesar de a “obesidade ser um factor de risco muito forte das doenças cardiovasculares, de aumentar a probabilidade do aparecimento de todas as doenças cardíacas”, quando a “pessoa obesa está doente, a doença do coração tem menos gravidade do que nos magros”.
“As pessoas gordas que emagrecem um pouco, melhoram muito”, sublinhou, acrescentando que a resposta ao tratamento é bem sucedida em todas as patologias cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca, hipertensão, angina de peito, doenças vascular periférica e coronária.
Por isso, advogou o presidente da Federação Portuguesa de Cardiologia, os médicos não devem “culpabilizar, penalizar o doente por ser gordo” mas antes “aconselhá-lo a perder um pouco de peso”.
O estudo permite “dar mais esperança ao doente” obeso, concluiu Manuel Carrageta, sustentando que “o optimismo ajuda a curar”.
Saúde: Portugal com um dos piores sistemas de saúde da UE
13 décembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Estamos na “cauda” de classificação de sistemas de cuidados de saúde europeus. Uma das razões “subjacentes ao sistema de saúde português é que o acesso aos cuidados de saúde é um dos piores da Europa”.
Na lista divulgada em Bruxelas pela organização sueca Health Consumer Powerhouse, especializada na informação aos consumidores sobre cuidados de saúde, Portugal surge em 26º lugar numa classificação dos sistemas de cuidados de saúde em 31 países europeus.
O 26º lugar atribuído a Portugal representa uma nova queda relativamente às hierarquias elaboradas nos anos anteriores, já que, em 2006, o País surgia na 16ª posição e no ano passado no 19º posto.
Uma das razões “subjacentes ao sistema de saúde português é que o acesso aos cuidados de saúde é um dos piores da Europa” assim como o “de tempo de espera de tratamento”.
Somos o quarto país da União Europeia com pior resultado, surgindo na lista apenas à frente de Roménia e Bulgária, da Croácia e Macedónia (dois países candidatos à adesão à UE) e da Letónia, última classificada.
No primeiro lugar da classificação deste ano ficou a Holanda (839 pontos), seguida da Dinamarca (820) e Áustria (784).
Saúde/Transplantes : Portugal ofereceu 30 órgãos excedentários à Espanha desde o início do ano
23 novembre 2008 por admin · Deixar um comentário
Portugal ofereceu a Espanha, nos primeiros nove meses do ano, 30 órgãos excedentários que proporcionaram 21 transplantes a espanhóis e a seis portugueses que estavam em lista de espera naquele país para receberem um pulmão.
A coordenadora nacional das unidades de colheita de órgãos, tecidos e células para transplantação, Maria João Aguiar, revelou à imprensa que está a aumentar a oferta a Espanha de órgãos que, pelas mais variadas razões, não puderam ser transplantados em doentes portugueses.
No ano passado, Portugal ofereceu a Espanha 39 órgãos, que tiveram origem em 23 dadores. Com estes órgãos foram realizados 27 transplantes, que permitiram salvar várias vidas, entre as quais uma criança de ano e meio.
Estes órgãos são recolhidos em Portugal de dadores portugueses. Por razões clínicas, nomeadamente incompatibilidades, os órgãos não podem ser transplantados nos portugueses que se encontram em lista de espera.
Nesses casos, as autoridades portuguesas avisam as espanholas da existência destes órgãos, cabendo-lhes virem buscar os pulmões, fígados, corações ou intestinos para salvar vidas de espanhóis que aguardam por um transplante.
Oito receptores em Espanha que receberam pulmões oriundos de Portugal em 2007 eram portugueses, que se encontravam em lista de espera para transplantação pulmonar em Espanha.
Maria João Aguiar destaca a importância destas ofertas, que têm como objectivo respeitar a vontade do dador: salvar vidas.
“Trata-se de um acto humanitário. Um dador que doa os seus órgãos certamente não quer que vão para o lixo, se puderem salvar outras vidas, falem português ou espanhol”, disse.
A coordenadora nacional das unidades de colheita de órgãos, tecidos e células para transplantação ressalva, contudo, que estes órgãos só são oferecidos a Espanha quando não são compatíveis com os doentes que se encontram em lista de espera em Portugal.
“São órgãos excedentários”, garantiu, explicando que a incompatibilidade com o grupo de sangue ou o seu tamanho são os dois motivos mais frequentes para não serem transplantados.
A coordenadora ressalva a “relação privilegiada” entre Portugal e Espanha na área da transplantação, através da colaboração entre a Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação (ASST) e a congénere espanhola Organização Nacional de Transplantes (ONT).
Esta colaboração já permitiu, este ano, que viessem para Portugal, com carácter urgente, três fígados espanhóis que foram transplantados em Lisboa (um) e Porto (dois).
Saúde: Portugal negoceia vinda de mais médicos estrangeiros
22 octobre 2008 por admin · Deixar um comentário

Julio Riquet, médico cubano a trabalhar em Portugal, no seu consultório.
Portugal já tem 4.287 médicos estrangeiros a exercer no país e vai avançar com novos acordos para a contratação de mais profissionais. O mercado da América Latina é o alvo.
De acordo com a Ordem dos Médicos, dos 38.538 clínicos que exercem em Portugal, 3000 são oriundos da América do Sul. Do Brasil vieram 600. Mas chegam também da União Europeia (2.583), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (261), da Europa não Comunitária (378), da África não PALOP (33), da Ásia (42), da Austrália (um) e da América do Norte (19).
Serão ao todo, segundo as contas da Ordem, 4.287. A sua vinda não tem fugido a alguma polémica, sobretudo por não dominarem a língua. E os utentes parecem duvidar da sabedoria de quem tem sotaque.
Em Junho, chegaram 14 uruguaios que estão a exercer no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Mas deverão chegar mais em breve, ao abrigo de negociações em curso que o Ministério da Saúde está a encetar.
Cuba, por seu lado, não ganhou à toa a fama de “fábrica de médicos”, devendo continuar a fornecer clínicos para vários países, incluindo Portugal.
Contactada pela Lusa, fonte da Embaixada de Cuba disse desconhecer quantos médicos cubanos estão em Portugal. Sem adiantar mais nada.
Júlio Risqué é um desses médicos cubanos. Não compreende como é que um país com tão bons médicos precisa de importar profissionais.
Ele é um médico sem complexos nem modéstia. “As doentes adoram-me!”, exclama, sentado na sua secretária na Clínica dos Arcos, onde trabalha a fazer Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG).
Também exerce no Hospital Amadora-Sintra, desde 2002, altura em que começou a viver em Portugal.
Um ano antes, tinha prestado provas na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde obteve equivalência. Em 2004, conseguiu o mesmo para a sua especialidade de ginecologia/obstetrícia.
Sobre os testes que teve de fazer, confessa: “Felizmente, somos médicos extremamente bem-formados”.
“Uma coisa que é realmente de enaltecer é que a formação dos médicos cubanos é óptima, equiparada com a melhor do mundo”, afirmou.
Portugal entrou na sua vida pela voz de amigos que viviam na Guiné-Bissau, onde Júlio Risqué trabalhou depois de deixar Cuba, em 1996.
A medicina está-lhe nos genes. “Sou filho de médicos. Em Cuba, estudamos por vocação. É o espírito de ajudar os outros”, contou.
Mas o país que lhe ensinou a arte da generosidade é o mesmo que lhe fecha as portas na hora de voltar.
“Tenho um filho de 17 anos que só vi três vezes”, diz, contando a história de todos os médicos que se formam em Cuba e que deixam a ilha para exercer noutros países.
Não pode voltar, mas não tem mágoas. “É o meu país. É a minha gente. O que me aborrece é que os médicos, por simplesmente terem escolhido um estilo de vida diferente, sejam punidos das coisas mais essenciais que tem um ser humano que é visitar o seu país, estar com a sua família. Infelizmente sem motivo nenhum”.
Quer voltar para visitar a família o país, mas, mesmo que pudesse, não queria regressar definitivamente. “Estou bem aqui e daqui não saio”, afirmou.







