Um Bom Jesus bem lá no alto
24 novembre 2008 por admin · Deixar um comentário
O SANTUÁRIO do Bom Jesus do Monte, em Braga, é composto por um conjunto de equipamentos que não se confina exclusivamente aos aspectos religiosos, o que ajuda fortemente a que seja considerado uma estância turística por excelência. Visto do sopé do monte, sobressai imediatamente o último lanço do escadório monumental (o dos Cinco Sentidos) encimado pelo templo, bem como as vinte capelas espalhadas à volta do conjunto. O acesso mais simples será certamente de automóvel, mas o velho funicular movido a água (o mais antigo da península) é francamente o mais interessante e só custa 120 escudos (0,6 euro) por viagem.
Resta ainda a hipótese de subir o escadório - o que representa uma «aventura» com mais de 500 metros num declive com cerca de 120 metros de altura. O templo em si é um edifício tardo-barroco que foi começado a construir em 1784, sendo terminado em 1811 e inaugurado apenas com a sagração da igreja em 1857. A fachada, que dá para o Largo do Pelicano, apresenta uma varanda central sobre a entrada principal e dois nichos onde se vêem as enormes estátuas (de seis metros de altura) dos profetas Isaías e Jeremias. Na varanda encontram-se as imagens dos quatro Evangelistas.
As quatro grandes janelas frontais dão o mote principal à imagem barroca do templo. No interior, sobressai imediatamente a monumentalidade um pouco pesada do altar-mor, com Cristo já na cruz, ladeado pelos dois ladrões, enquanto que na base se encontram as figuras de alguns soldados romanos e mulheres de fé.
Mas a imagem mais interessante do templo encontra-se exactamente à direita do altar-mor e representa o culto a S. Clemente, um soldado romano martirizado no século III d.C..
Segundo a tradição, a imagem que se encontra no sarcófago de vidro que lhe serve de altar e o corpo do próprio santo, alegadamente mumificado em gesso. Mas a visita ao Bom Jesus não se limita ao santuário em si: os jardins e matas envolventes, de uma limpeza e arranjo exemplares, fazem lembrar as estâncias termais ou balneares do final do século XIX, chegando mesmo a ter`
alguns elementos «kitch» - como é o caso das grutas artificiais e dos corrimões em cimento a imitar madeira. A vista da esplanada é fabulosa, vendo-se mesmo Barcelos ao longe no meio dos montes que ondulam até ao mar. Finalmente, por trás do templo e no meio da mata, há percursos pedonais, um lago com barcos para alugar e muitos locais para merendar.






